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14 dezembro 2009

Dia de Cão



Nunca mais eu havia suspirado assim, nunca mais havia sequer suspirado, não sonhava e nos meus sonhos não beijava ninguém. Meu cachorro suspira, Deus sabe o quanto eu queria ouvi-lo falar de suas sentimentalidades, entendê-lo, gostaria de sentir o que um cachorro sente ao suspirar tão humanamente quanto eu num dia de cão, talvez eu sinta... eu molho biscoito no café e dou a ele esperando que sua alma canina sinta um pouco de humanidade, espero que ao dissolver aquela massa umidecida eu encontre nele um sinal de que somos todos animais que sonham.

Acordei pensando nela outra vez, ouro de tolo quando se pensa ter algo perto das mãos, quando o impossível chega sorrindo e te abraça com força e saudade, o impossível me ama! ela não.

Eu sinto uma tristeza imenssa quando a música acaba devagarinho, diminuindo o seu volume e vai sumindo, me da saudade quando acaba o livro, me da saudade quando acaba o ano, me da saudade quando num domingo a tarde viajo de volta pra casa.
Me sinto triste quando não me sinto feliz, não preciso estar necessariamente triste pra me açoitar a tristeza, basta eu não sentir euforia, para cada “15 minutos de fama” e alegria eu vivo 1 hora de tristeza ou outro sentimento derivado semelhante a ela. Pensando assim não vivo, apenas regrido numa conta negativa rumo ao infinito...

Eu não sou essa pessoa que hoje encontro no espelho, sou a morte de muitos eus, sou um renascimento diário, sou descendente de mim mesmo, eu não sou eu vou sendo, quando dá, quando der. Meu sonho era causar nas pessoas o mesmo impacto que as pessoas causam em mim, gostaria de que as marcas que me deixam no peito eu também as deixasse em todos aqueles corações que me agradam. Hoje eu fingi, hoje eu n sabia o que sentir, hoje foi um dia de cão com direito a coração querendo sair pela boca.


21 setembro 2009

Não se sabe


Já pouco importa lembrar-se do que dizer na hora certa, pois esta parece que não chega, então para você eu pareço vencer pelo cansaço a felicidade que insiste em rodear meus olhos, enquanto para mim você parece não entender que percebe minha teimosia pelo que é triste. Nada disso também importa, pelo menos enquanto somos distantes. Não nos sabemos, não houve toque, contato algum, e segue-se a vida numa infindável ciranda de incertezas que vão semeando grãos de dúvidas sobre nossas frontes. Será que amanhã o futuro chegará logo, ou ainda tarda este a vir? Eu não sei. Viver é também não saber.

14 setembro 2009

Tuchê!

Sinto do lado esquerdo do peito uma ferida aberta, é o velho amor na certa, viver é amar, função de viver: Amar de portas abertas. Alguns fingem bem, se escondem entre facetas, esquiva de sentimentos, encenação, fingimento. É meu caro, parece que o amor te pego de repente, dessa vez mais forte, mais rápido, mais certeiro que a serpente. É meu caro, parece que o amor te pegou de veneta, na baixa guarda do coração, na mordida do bocal da caneta. Justo agora que estavas confiante, justo agora que parecias sem saudade, reerguido, vestido com o pijama da tranqüilidade.

Todos os olhares do mundo não significam nada, só um par de olhos te atrai, te agrada. Só aquele sorriso te afeta, te intriga, só aquele cheiro te acalenta, te embala, só aquele beijo te alimenta. Somente o medo te observa, espreita, espera, suspeita... No baixar da guarda te acerta! Tuchê! Pontada mais fina que agulha de crochê.

Tolo coração, mil e uma vezes encantado, mil e duas, mil e três, mil e quarto vezes o mesmo impacto... Quem da mais? Quem vai levar teu coração barato?

Quando o ”Eu” ama o “Tu” e o “Ele” esteve sempre lá é quando o “Eu” ama sozinho e tu te pões no teu lugar. Quando o “eu” conta a todos “vós” e depois sente que o “nós” não chega a se concretizar. Quando se espera algo e esse algo não vem, quando se ama alguém e esse amor não ama ninguém, quando se sente a dor e essa dor não se sente bem, quando se sente amor e esse amor não te convém. Nesse duelo o único elo te vence com louvor, é o espadachim que te lampeja a mente como martelo, forjando inoxidáveis correntes do mais puro amor.

28 agosto 2009

Pra sempre




É um tempo de cheiro de chuva esse de agora, é um gosto de tristeza na boca, e o coração pedindo um pouco mais de ontem, de muitos "ontens" atrás, e o relógio mentindo a mim as horas, fingindo ser pouco o tempo que se desperdiça com o que não vai ficar pra sempre, porque o pra sempre, é só uma questão de boa memória.

25 junho 2009

Hope...



...sempre?

18 maio 2009

Aniversáiros contra o tempo II


Os gigantes adormeceram outra vez em meus olhos, não por merecimento, mas por mera piedade, um tanto trégua, um pouco abrigo, e eis que quando percebi, já se assemelhavam às coisas inertes, desfalecidas, era um sono pesado, sereno, ademais, tranqüilo, e as coisas que antes pareciam grandiosas demais ao meu cético entendimento, agora eram tão lógicas e intensas quanto perceber o escuro ao apagar das luzes de um cômodo qualquer. Mas, não me engano tanto mais, esses gigantes apenas fingem um sono profundo, pois nesse mundo, são minhas investidas na vida quem entendem o bastante de inércia, sinceros objetivos atenuados por um Morpheus qualquer. Isso me lembra viver, vencer os dias em desalinho ao tempo requer coragem, já que as datas nos marcam não apenas o corpo, mas também o espírito, por isso que digo: onde está o valor de se viver os anos senão no regozijar-se naquilo que é o grandioso e absoluto presente-mór do Deus dos céus, que não é outro se não a vida? A vida aos vinte e nove é ainda jovem e robusta, um conforto, diante de tantos percalços oportunistas, e já não há mais tanto medo assim em gigantes adormecidos no canto de nossos olhos, nós apenas os vencemos, e quando outros vêm (outros sempre virão) os derrubamos de novo, a dor ensina isso, ser forte não requer prazer. Apenas vença, pois sei que assim como eu, você ainda é tão jovem, meu amigo. Ainda somos tão jovens. Feliz aniversário Pedro.

15 abril 2009

Rimas de Um Coração Fungado em Tristeza



A tristeza funga em meu cangote
Com um hálito doce porém frio e forte
Um Zeppelin cheio de suspiros incabíveis em mim
Faz flutuar meu amor em alturas terríveis
E depois o deixa cair ao chão em dores horríveis

Coração mais que cadente
Mais que pedante, mais que pedinte
Pândego coração pandeiro
Ébrio coração falante
Sóbrio coração ouvinte

Máquina manca e empenada
Encostada na quarta-feira de cinzas
No canto da escada
Em meio a ruínas

Para o lado esquerdo do corpo
Para os dois lados do riso
Coração estagiário anti-corpo
Coração que cava um abismo

Coração vermelho semaforizado
Por malabarismos vãos
Em busca de centavos trocados
Dando adeus sem dar as mãos

Coração micareta mascarado
Coração que chuta virando a cara pro lado
Sonha em ter feito gol
Coração impedido que o vento o levou

Coração a migué
Sem eira nem beira
Coração deitado em chão de esteira
Freguês do mesmo cabaré

Coração agora estéril
AM e FM estéreo
Atrás das grades no corredor da morte
Coração amador e pungente
Que toda dor agüente
Que toda dor suporte

Ah! e essa tristeza que funga em meu cangote
Ah! e essa tristeza que me cria um mote
Rima simplória para dor aguda
Que o coração me acuda
Que o coração seja forte.

14 abril 2009

Aos trinta e três




Conte-me mais sobre o motivo pelo qual te alegra tocar minhas mãos ao deitarmos, dê-me mais, pois sempre é bom ter calma para viver os dias, eu sei que à noite nós iremos conversar outra vez e concordaremos num mesmo ponto, você não mais me vê como seu, eu não mais vejo o que existia de ontem em você. Apaixonante, era apaixonante nos ver, agora eu vejo você se afastando, porque sou eu quem está partindo, aos poucos estou deixando coisas para trás, o tempo cai pelo chão a todo o instante, escorre entre nós, nossa memória esqueceu-se do que nunca deveria ser passado, e eu, que passei os anos à procura do que me fazia feliz, agora passo mais um sem encontrar o que quis. Foi uma manhã triste a de hoje, uma terça-feira como outra qualquer, não fosse o dia 14. Eu nasci aos catorze dias do mês de abril de um ano do qual não sei nada, em 76 eu nem era eu ainda. O desejo de sentir frio superou meu amor pelo calor. Outro capítulo, outro ano, e a mesma busca, a mesma vida, é sempre a mesma vida, como sou imaturo. Até quando serei? Parabéns para mim, que há trinta e três anos odeio vê-los passar...




شهريار


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08 abril 2009


"Música é somente vibração de ar.Livros são apenas emaranhados de letras.Pintura é a mistura de cores sobre uma tela.Uma fotografia é apenas a luz sobre um papel sensível.E mesmo assim essas coisas conseguem tocar a alma.E tem gente que não acredita em magia".

O desterro e os óculos


Pressão alta é morrer sem ter vontade, pressão baixa é querer dormir sem nem ao menos ter sono. Eu, experimentador que sempre fui, enjoei de tanta dor para experimentar e tentei o gosto do leite com sal, tentei o que nunca soube, mas esse sabor não me pareceu bom, então eu, experimentador que sou, quis entender o mundo dos que se escondem atrás de lentes, e experimentam enxergar como poucos desejam, não as das câmeras, que captam a alma dos que sabem vida e aprisionam o prazer de se estar vivo em cliques feitos de desejos e ternura, ou em vídeos, filmagens amadoras ou não, transeuntes de um espaço sem liberdade, mas as dos óculos. Na época de escola tive uma professora que se escondia por trás das lentes de uns que nunca embaçavam, era loira e linda, por ela passei grande parte da minha adolescência com um amor vestido de vermelho-ciúme enroscado no meu coração, e isso ela sabia, pois sempre que lecionava, falava, falava e gesticulava em acenos perfumados de claros cabelos, e quando baixava a cabeça para suas averiguações didáticas, suas lentes nunca conseguiam esconder o ligeiro lançar de olhos em mim. Sorria-se tímida, talvez se lembrasse do filho que nunca tivera, quem sabe me imaginasse mais velho, isso me fazia ter vontade de usar óculos para eu saber se também conseguiria plantar nela o mesmo interesse que tinha eu, talvez um toque de maturidade poderia me ser acrescido pela serenidade das lentes. Foi ela a primeira que me explicou pressão arterial, os efeitos do sal, a corrente sanguínea, mas eu, só conseguia sem disfarce olhar para seus olhos, também nus, atrás daquelas lentes, por isso nunca entedia uma só palavra do que me falava quando se inclinava à minha mesa. Minha dor era a professora de português do outro turno, o vespertino, que sempre chegava com lentes embaçadas numa, quem sabe, proposital tentativa de ouvir algum aluno mais gentil se oferecer para limpá-los, pensei em denunciar na diretoria, parecia feio aquilo, acaso não havia homens mais velhos para tal vergonha? Queria eu poder fazer o mesmo com a minha musa loira, adepta das lentes de correção. Quase duas décadas se passaram, e então um dia, assistindo o telejornal local, vi a notícia de um acidente na volta de uma praia famosa daqui, e entre os que se foram naquela tarde fatídica, um corpo tinha sido dado como não identificado, não se sabia nada deste, aparentemente sem documentos, nem bagagens, nem fotos, ou qualquer coisa que pudesse auxiliar na identificação. Dois dias se passaram e após ter sido tal corpo enterrado como indigente, um simples ninguém, um que foi e se foi, sem nunca ter sido, a notícia final de que conseguiram – prefiri não pensar como – identificar quem era a pessoa morta no acidente me chocou grandemente e me fez entristecer na alma. Seu nome era Cláudia, uma foto foi achada dois dias depois no local do acidente, em meio aos destroços. Parentes e amigos reconheceram, ela estava de óculos e havia também há pouco tempo perdido uma gravidez de oito meses. Essa foi a imagem que ficou dela comigo para sempre, desde o colégio, um filho que nunca tivera, eu triste por nunca ter sido mais velho, ela loira, linda, e de óculos, estes, nunca embaçados, só para isentar-me da possibilidade de me oferecer para limpá-los. Hoje, tudo o que queria era chorar uma saudade com lentes, e esquecer o meu desterro, sei que ela jamais chegará a ler isso, mas eu, ainda posso usar óculos e talvez embaçá-los com essa minha saudade. Pressão alta é morrer sem ter vontade, pressão baixa é querer dormir sem nem ao menos ter sono. Eu, experimentador que sempre fui, enjoei de tanta dor para experimentar e agora posso usar óculos, como sempre quis, mas agora é tão tarde.

Crise


Nunca gostei dessa coisa de não haver um único eu. Todos nós somos muitos, coração, alma, corpo, espírito, razão. Não me agrada a idéia de obedecer ao coração, dar satisfação à voz da razão, ceder ao que pede o corpo, não saber entender o espírito, ou agir só com a alma, simplesmente queria eu ser um só. Somos várias partes que no fim formam um todo. Se você me perguntar do que gosto ou o que quero, precisarei de uma assembléia com as outras partes de mim, e pra ser sincero, estas partes sempre falam em línguas diferentes...

Lugar comum (Para aquela que me chamou de clichê)


Desperte e me veja com a perna por cima de sua cintura, viva comigo, ande ao meu lado pelo caminho de volta pra casa, me ouça falar desinteresses à mesa de um bar, ouçamos música durante a espera pelo sono, nunca mais tinha feito isso, vamos juntos ao circo, te contaria sobre minha época de palhaço e você riria mais do que com os do show, compremos presentes de última hora para nossos pequenos, finja pra mainha que gosta de novela, comente sobre com ela, perca horas conversando com minha vó, espante-se com suas lembranças tão longe, aceite cantar enquanto toco, beba mais um pouco comigo, conheça a minha vida, arrisque falar que me conhece bem pros meus melhores amigos, deixe que eu conheça tua vida, faça-me rir sempre e me apaixonar pelo seu bom humor, consiga que eu te provoque o riso, só para ver teu sorriso, converse deitada comigo, brinquemos de andar pela sala sem acender a luz, tão somente para ver quem reconhece mais nossa casa, perca a vergonha em eu te ver chorar durante o filme, não espere só eu sugerir cinema aos sábados, diga que adora dançar comigo, beije meus olhos, me morda sorrindo, goze comigo mais do que no sexo, gozemos da vida, leia o que te escrever, guarde todas as minhas cartas de amor, me faça gostar dos seus amigos, será fácil, olhemos juntos nossas mais antigas fotos, me dê uma filha, aceito filho, filhos, busque sempre minha mão enquanto caminhamos, fiquemos calados por longos minutos, falemos com os olhos e quase sorrisos, viajemos de novo pra praia, deixe-me cozinhar vez em quando, fotografemos sem parar, a mim, a você, a nós, aos outros, todas as coisas e pessoas, me conte sobre onde nasceu, ouça-me falar do meu tempo de escola, vamos rir com nossos novos amigos, briguemos, e nos desculpemos, vivamos. Desperte e me veja com a perna por cima de sua cintura, viva comigo, fica ao meu lado, agarremo-nos à vida para nunca mais cairmos, mas lado a lado, como pregadores do mesmo varal, conheça-me, só então poderá me chamar do que te for aprazível...

O amigo, o amor e a dor




Sei que ninguém é feliz sozinho, mas basta termos amado uma única vez para que sejamos para sempre arranhados pela tristeza.

Amor extra




É sempre o mesmo sentimento. - Amor tecido de palavras -, não há abraços, nem de despedida, nem de chegada, e a pele nua. A gente tem cuidado dos nossos dias, mas nos esquecemos de cuidar da gente, vestir os dias. Os dias... Estes cuidarão de si mesmos, importa que nos importemos com o principal: teu abraço caber no meu abraço. O abraço é o laço do corpo, enfeita os amantes qual caixinha de surpresa. Nossas vidas são adornadas no momento do toque, no enlace. Abraça-me, pois a falta decidiu esculpir em meu corpo uma forma que não é minha e me deixa nu a todo instante, nenhuma roupa mais me cai bem. A solidão cortou meus cabelos e me cobriu com outras vestes, fazendo da saudade minha melhor roupa de sair. Sinto falta de ver vestir você a minha pele nua...

Daquilo que ofusca


Quando teus pés tocaram meu mundo todos te notaram, havia um bando de estrelas, destas sem sorte alguma, que te seguiam por onde quer que fosses, diziam tentar reaprender brilho, e confesso que em ti havia muito. Teus olhos pariam luz para todos os lados e cegavam os meus diante de quaisquer outros, nos cabelos, um raiar de sol incomodava escuro, eram a ausência de cores mais terrivelmente brilhante que já me escorreu por entre os dedos. Teus lábios me confundiam os sentimentos, que, um a um pulavam de dentro da minha para a tua boca... a tua boca, brilho doce em molhados aromas de frutas destilando prazer em sabor de beijos. Teus brincos, pulseiras e colares, ofuscados eram sempre de constrangimento ante tua presença, “próximos demais dela estamos”, diziam, e saindo do tom em opacas tristezas, se diluíam em mareados de lágrimas. Na tua pele, a jovialidade pálida de outrora cedia sempre lugar ao rubor experiente da minha carícia em arrepio de gemidos, eram as reações de química mais cintilantes que já me ocorreram às vistas, e eu, cegado por tua luz que fui, ainda assim tive a chance de continuar percebendo as muitas estrelas que te acompanhavam aonde quer que fossem teus pés, de início eram poucas, hoje, constelações inteiras se reúnem em torno de ti, para depois de muito suspirarem, metade precipitar-se ao solo, apagando-se quase que para sempre tal estrelas sem fé, e metade, uma a uma reaprender brilho, este que nunca te faltara. Quando teus pés tocaram meu mundo todos te notaram, havia um bando de estrelas, destas sem sorte alguma que te seguiam por onde quer que fosse, diziam estas tentar reaprender brilho.

Nuances





Ela ficava bem de preto, nós pensávamos branco, agora prefiro não usar nada, ao menos quando me deito. Ela tinha uma voz não invisível ao me assoviar seus nomes, e eram tantos, alguns gerados em apelidos. Eu, distante de tudo o que é feliz, nunca acertava assoviar-lhe o meu, não pra fora, como o convencional, alguns poucos sons se ouvia, mas só quando eu tentava pra dentro, coisa desimportante. Um dia, ela em falsete solfejou meu nome ao ouvido, um que jamais antes ouvi, e chorei, pranteei muito e tanto. Meu nome era uma música triste, a melodia me partia o coração, quis não gostar, mas era linda a canção, passei assim a todos os dias pedir que me chamasse pelo novo nome, esse que eu não conhecia, era sempre na hora de dormir. Parecia que a dor que sentia me trazia contentamento. Hoje, queria nunca mais te ouvir musicando meu nome, poetizando meu nome, mas isso soa tão difícil, mesmo pra mim, que já não acredito nas coisas que escuto, quis tampar com as mãos os ouvidos, desisti. De ouvidos tampados eu também te ouço.

Durma, medo meu


Para aquela que não entendeu o mundo antes de partir, não entendeu ser mãe, sem saber amizade viveu, morrendo, não se sabia filha. A dor brincou em frente à sua casa e então resolver visitá-la, entrou, mas nunca mais saiu, mudou-se de vez para lá, agora dorme lado a lado com a saudade que ela nos deixou de herança. Vou arrumar uma cama bonita, quiçá um berço, para que essa dor durma menos leve do que nós. É que toda dor acorda quando fingimos dormir.

03 abril 2009

Da janela


De quando eu te fazia morada pouco resta agora, já não há regozijo em te ver passar em frente à nossa janela e avisar que chegou, fingindo sempre se esquecer da chave só para que eu vá te receber. Abro o portão para que entre, mas tranco o meu coração e engulo a chave. A casa ainda é por nós ocupada, mas vazia agora está tua alma, eu fui embora de ti. Quem vai morar em você agora?

De ontem em diante


Quem é você? Onde você mora? Onde mora o teu coração? Quem mora no teu coração? Eu te conheci, mas não mais te reconheço, coisa estranha uma metade de nós mesmos, companheira de quase uma vida, vir a ser uma estranha. Quase... sempre essa palavra, repetidas vezes a pronunciei em silêncio ao teu lado, do meu lado, até perder o sentido, não mais palavra então, apenas fonemas mal pronunciados em desalinho com teu silêncio, ditas de fora pra dentro. Quem vai me responder quando a solidão cortar teus cabelos, quem vai te ouvir quando a dor roubar os meus? Onde você estará quando o tempo fizer franzir sua testa contra a tua vontade? Quem estará ao teu lado, e dentro de ti?
Tendo-te ou não ao meu lado, um caminho ainda existirá para mim...

Respostas


Todas as pessoas, das tristes às felizes, elas não sabem viver sem respostas, quando querem se preparar para a vida, estudam, quando vivem sem se prepararem, são ainda maiores as dúvidas, se a morte, sem aviso lhes rouba alguém que amam, não entendem e seguem num ritual infindável e sufocante de questionamentos que com o tempo apenas tornam-se maiores. Uma vida sem muitas respostas é uma casa com grandes janelas que apontam para a mesma paisagem, caso queiramos enxergar o que existe do lado de fora, não importa a escolha, de qualquer uma que olhemos, a vista será sempre a mesma.

Mudanças




Tão quieto era teu sono que eu quase te ouvia sonhar, mas o tempo está passando e agora te ouço em brincadeiras com coleguinhas de colégio e amiguinhas da vizinhança, já não sei o que tu sonhas, nem onde e quando aprendera o significado da palavra “problema”, tua pouca idade ainda faz tua morada na infância e eu esperava que isso nunca mudasse, mas os anos virão aos poucos roubando o melhor da gente, a inocência. Sê criança pra sempre meu amor, pois a estas pertence o Reino dos Céus.

Solidão assistida


Eu já senti felicidade da que todos percebem, já perdi o senso de direção andando na rua, já me ocorreu satisfação incontível das que rasgam em sorrisos dentário-exibicionistas, algumas dessas sensações vestem pijamas quando me deito e passam a noite disputando o cobertor comigo, meus pés descobertos e elas rindo, rindo, rindo. E eu, que por medo do dia amanhecer e outra vez ficar sozinho, passo o dia com saudade das coisas que posso sentir e simplesmente não sinto. De manhã, quem me desperta é a solidão...

Abraço


Teve uma vez um abraço, um que eu nunca esqueci, foi o único que me coube por completo. Então aprendi como isso era bom. Mas parei de abraçar. Digo, não sei ao certo quem parou, se eu, ou a outra. Foi quando desaprendi tudo de novo. Fiquei burro de abraço, nem mãe, nem pai, nem amigos, sequer irmãos, e por último, sobrinhos. Burrice de abraço requer muito estudo para curar.“Admiro a sanidade saudável dos braços inteligentes.”

27 março 2009

Insatisfação


Tenho andado deveras enfadado dessa rotina de se viver os dias de agora. Trago em mim uma dor não pertinente à minha jovialidade, uma nostalgia quase senil que insta em me ser companheira fiel, é uma saudade visceral de um tempo que não me pertenceu, é a não menos real que clichê “saudade daquilo que não se viveu” que em mim grita mais que minha voz. Vivo numa época que não considero mais minha, as relações entre as pessoas já não mais são aprazíveis aos meus olhos, é tudo tão sem propósito, fútil, vazio, numa riqueza de efemeridades que assusta sem trazer costume. Da mesma forma que se aproxima, se afasta, não há mais o “sorver” o melhor de cada pessoa, de cada amizade, desapareceu por completo a paixão e o afeto espontâneo entre as almas viventes. Mais prazer haveria experimentado meu coração acaso tivesse vivido na década de trinta, quiçá, sessenta. Já não caibo em mim de tanta saudade, não daquilo que experimentei, mas daquilo que nunca tocou o meu coração.

26 março 2009

À queima roupa


Prestando bem atenção, eu não sei o que você diz. Sua voz sempre cai pelo chão antes mesmo de chegar aos meus ouvidos. Não os tapo, eles ensurdecem de outra maneira, nem mesmo sei dizer se seria sua voz muito pesada ou se as asas de tuas palavras são feitas de cera, sei tão somente que quando tu abres a boca, nunca ouço nada. Seria o chão entre nós sempre transmutado em buracos negros? Às vezes acho que onde pisamos, magnetizamos, e lembro agora que todos os teus sons e fonemas me soam como aço. Não quero nunca mais precisar lembrar nada que me dizes, por isso agradeço por sofrerem de oxidação tuas palavras. Agradeço ao chão entre a gente por saber quando ser ímã e por cada ferrugem que corrói teus verbos, consoantes e vogais, no mais, tente atirar teus projéteis léxicos para qualquer outro, a mim, nunca mais. Tal como disparos de armas de fogo, algumas palavras podem ser letais.

23 março 2009

Até quando?




08/09/05

Por muito tempo eu pensei que a minha vida fosse se tornar uma vida de verdade.
Mas sempre havia um obstáculo no caminho, algo a ser ultrapassado antes de começar a viver, um trabalho não terminado, uma conta a ser paga.
Aí sim, a vida de verdade começaria.
Por fim, cheguei a conclusão de que esses obstáculos eram a minha vida de verdade.
Essa perspectiva tem me ajudado a ver que não existe um caminho para a felicidade.
A felicidade é o caminho!
Assim, aproveite todos os momentos que você tem.
Aproveite-os mais se você tem alguém especial para compartilhar, especial o suficiente para passar seu tempo; e lembre-se que o tempo não espera ninguém.
Portanto, pare de esperar
Até que você termine a faculdade;Até que você volte para a faculdade;
Até que você perca 5 quilos;
Até que você ganhe 5 quilos;
Até que você tenha tido filhos;
Até que seus filhos tenham saído de casa;
Até que você se case;
Até que você se divorcie;
Até sexta à noite;
Até segunda de manhã;
Até que você tenha comprado um carro ou uma casa nova;
Até que seu carro ou sua casa tenham sido pagos;
Até o próximo verão, outono, inverno;
Até que você esteja aposentado;
Até que a sua música toque;
Até que você tenha terminado seu drink;
Até que você esteja sóbrio de novo;
Até que você morra;
e decida que não há hora melhor para ser feliz do que agora mesmo...
lembre-se:
Felicidade é uma viagem, não um destino.

www.fotolog.net/peqna_vida

28 fevereiro 2009

Lição nº 1




Por onde andei eu para escrever tantas angústias misturadas com mensagens de esperança? A vida que se vive não é igual à vida do ser ao seu lado, com que autoridade anciã arremesso essas palavras aos olhos e ouvidos mais atentos? Autoridade de quem vive a vida num intenso turbilhão de acontecimentos dos quais, a maioria, são feitos de penar, tristes ais e dor. Por assim ser, existe uma incontrolável necessidade de recolher uma lição para seguir em frente, sem ela, a mente não suportaria a carga do mundo que criamos a nosso modo (grosso modo). A esperança é imortal, é tão humana quanto divina, está presente em todos nós, Deus tem esperança de sermos seres melhores, esperamos muito da vida, dos outros, de nós mesmos, esperamos ter esperança. Esperar e ter esperança geralmente não depende de nós, depende em grande parte dos outros, esperar é assistir atento, se todos lutassem por uma só causa, um objetivo comum a esperança seria somente um detalhe, uma conseqüência natural, seria somente esperar o resultado certo. Lutamos por motivos diferentes, criamos materialidades e abstrações que nos segregam, nos separam...

10 fevereiro 2009

Galope




É um galope de ilusão o que vivo ou é a vida que me carrega? Seguir um caminho, ir para algum lugar... Rédeas mentais me envolvem a cintura, a boca e o pescoço, tento me sacudir, me impedir, ficar imóvel ou mudar de direção. Ledo engano, sou sempre convidado bruscamente e com veemência a me reagrupar a sege e continuar correndo, correndo...
Com tapa-olhos laterais meu regozijo depende do que passa pelo caminho, rápido, súbito, de repente num piscar de olhos, meu prazer ocular não vai além do meu querer, vai do que esteja indo, vai do que esteja voltando, depende inexorávelmente do que se coloca à frente no momento.
Não sei para onde olhar, tenho que ser rápido, vez ou outra me confundo (há muitas sombras e reflexos) e perco o passo. Quando olho para os outros “caros colegas” atados a carruagem, os vejo tão impávidos, tão irresolutos, os vejo seguindo determinados, ansiosos, fixando o olhar para frente na linha do horizonte, sagazes, vigorosos.
Parece que lá na frente haverá um oásis de plácidas águas frescas, relva em fartura plena, verdejantes campos sem fim, sombra e som de cachoeira dos céus. Mas como podem saber disso se não sabemos para onde vamos? Como podem ter certeza? O rajar de chicotes ao meu pé do ouvido, gritos imperativos e açoites do homem que nos dirige não nos diz muita coisa, como eles sabem?
Só sei que sabem, queria acreditar mas é difícil, os deuses dos cavalos sabem o quanto eu queria acreditar e ter certeza para onde vou, mas em mim paira uma dúvida, um descontentamento ao acaso, um desânimo daltônico, uma tristeza à granel.
Minha vida é ruminar problemas, ruminar sonhos, ruminar desejos, ruminar o irruminável, tenho um primo Unicórnio, um amigo Pegasus, um tio Shadowfax, um cunhado Rocinante... Enquanto me vejo sob o julgo dos grilhões, enquanto houver amarras gastas me contentarei em acompanhar à galope (Allegro com brio) os demais, com um capim cigano na boca mostrando todos os dentes possíveis de cavalo dado e arredio.