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11 março 2011

Resquícios de mim



Eu namoro as letras, já não há mais moças direitas a namorar, a minha grama está seca sobre um solo despojado de encantos. Tudo que eu queria me falta, toda a sobra do que não quero vêm me abraçar, as esquinas se curvam às ruas hoje estranhas a mim, um carro vai veloz com um sorriso de alguém no interior dele que nunca mais passará por aqui. As velas só derramam sua parafina despendida pelo fogo, meus olhos só derramam minhas lágrimas desprendidas pelo coração em chamas. Tudo em que acredito não se aplica a mim, meu tempo nunca chegou, minha canção esta arranhada em algum vinil perdido no passado.

Minhas luzes me abandonam, meus sentidos zombam de mim, meu instinto me trai tão distraidamente quanto um cachorro no jardim de um hospício. Minhas peças estão em um tabuleiro de xadrez gasto como se eu enfrentasse Bobby Fischer e estivesse sempre em xeque, meu cantil não tem mais água, minhas idéias voam como na cabeça de Chris Mccandless. Na minha caverna eu me esquivo como Platão, em suas fendas eu me encerro como William Blake e me revigoro ao sobreviver como Daniel na cova dos leões.

Nada me interessa, nada me motiva, abençoado seja o controle remoto e as pilhas alcalinas, pois bem, adoro os olhos de quem sabe fazê-los brilhar intensamente mesmo sem destino.

Minha caneca preferida está rachada, assim como arranhado está o meu espírito, me apoio em mim mesmo como um hipocondríaco delirando ao adentrar uma botica esplêndida, me enxergo amanhã como nunca me vira antes.

Deixo-me especular sobre os meus próprios sonhos, me deixo roubar a mim mesmo, puxando um Ás por baixo da minha outra manga e mesmo assim, me surpreendo como sou sincero e íntegro não a mim, mas, por conseguinte a ninguém. A vida é um jogo, e o crupiê que da as cartas pegou num sono profundo.