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Advertência!

O conteúdo deste blog pode, literalmente, projetar você para algum lugar no tempo-espaço...

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28 janeiro 2008

Dois litros de tempo



Onde quer que exista o tempo não existirá só isso, existirá também a falta dele. Os minutos que me despertam pela manhã passam o resto do dia fugindo de mim, escorregando pelas mechas dos meus cabelos, não os consigo descobrir no branco do relógio na parede à minha frente, não os posso agarrar no colorido relógio em meu ainda jovem pulso esquerdo. Se é a noite maior enquanto olho a rua, permaneço só, por assim o ser, só para que passem mais rápido as horas, mas quando sozinho, o tempo é sempre vagaroso e anda aos tropeços com a ajuda de alguns poucos minutos cegos, os mesmos que costumam me despertar cedo e passam o resto do dia fugindo de mim. Poucos sabem, mas um minuto às vezes é meio, (experimente ter alguém que você gosta ao seu lado), não é de conhecimento geral, mas por maldade, (afinal, o tempo é mau) ás vezes um minuto não é um, mas quinze, quem abraça a solidão sabe do que estou falando. Os minutos são como companheiros infiéis, suas horas passam antes mesmo que possamos compreendê-los.

23 janeiro 2008

Para minha vó

Minha querida venha aqui que tenho algo a te contar, mas venha logo, pois não gosto de esperar por nada. Eu sei que o tempo andou mexendo contigo, mudou a cor dos teus cabelos, a textura da tua pele, mudou teu nome e te fez mais triste. É que o tempo, meu amor, gosta de brincar com a gente em dias de dor. Vamos nos deitar um pouco e esperar que ele passe, ou que passe a dor, já que não se pode ultrapassá-lo, nem uma dor pular. Cabelos grisalhos, outrora negros, (lindos) pele enrugada, um dia tão macia, (gostoso toque) e um nome que se pronunciava de fora pra dentro (Vó). Hoje a senhora não pensa em dizer mais nada, ainda que de dentro pra fora. Reconheço a beleza de ter gerado minha mãe em tua barriga e a barriga desta que inventou a mim. Vou correr, eu e minha barriga com um céu e duas ruas inteiras para gastar teu tempo conversando comigo, digo... conversado com a gente, porque na falta de ouvidos tu conversas consigo mesma. Coisa de quem gerou uma mãe que inventou um filho, e assim foi com uma barriga e foi mesmo da barriga que a mãe fez este que ama e um dia pulava no colo desta, sem vontade de sentir o tempo que nunca sente dor, nem tem barriga. Minha querida venha aqui que tenho algo a te contar, mas venha logo, pois não gosto de esperar por nada, então não pare você de viver ainda, é que o tempo não vai nunca parar, o tempo não para, nem pare, parir é para quem tem amor e barriga, mas este, o tempo, nem ama nem emprenha...

21 janeiro 2008

Perceba







Será que os humanos percebem a vida enquanto estão vivos?


Não. Os santos, as crianças e os poetas, talvez...

15 janeiro 2008

O Servidor Público



Reza a lenda que um servidor mais do que público, meteu-se a fazer graça ao povo e da graça que fazia, rodeando as pessoas de felicidade e de alegrias - tudo isso de graça e pela graça de Deus - rodou, rodou e caiu de tontura com as mãos na testa, poff!

-Acudam! Valei-me Jesus Cristo que o homem ta passando é mal – gritou da soleira da porta um jovem, que de vermelho de risos, ficou branco de susto vendo aquela cena inédita.

- O que houve? – todos perguntaram.

- Iiiiiii parece que o servidor não vai mais fazer graça em público – desenganou logo o enfermo uma mulher de poucas palavras e esperanças.

- Isso é molecagem não vêem?! Está fingindo!

Em meio a tantas suposições, o servidor, o agitador das massas e das emoções, o bobo voluntário da corte renasce das cinzas meio trôpego, mas socorrido descobre no hospital das clínicas de não sei das quantas, que não pode mais exercer sua profissão. Um choque, uma aposentadoria prematura e inesperada.

O facilitador de risos nunca mais foi o mesmo, recaiu sobre ele uma nuvem negra de solidão e esquecimento, a vida seguiu o seu rumo veloz, e ele perdera seu papel na estrutura determinista mundana das funções na terra. Depois de tantos anos dedicados a comédia e ao circo do entretenimento humano, nas 4 estações do ano e nos 365 dias e 6 horas dos anos bissextos, em mais um dia de fevereiro não lhe renderam muitos bens... Anos depois, doente, frustrado e maldito, o servidor público não encontrou uma só alma que o fizesse sorrir com alguma graça.

Ser agradável e engraçado era uma tarefa árdua, foi então que ele doutrinou um desses meninos de rua, com toda sua técnica e extrema maestria e então ele ria, ele ria... Cumpriu o seu papel e ficou um tanto rico ao montar uma escolinha de comediantes mirins, mas o mais impressionante é que ninguém o viu tão feliz como no dia em que Pablito gonzáles, seu pupilo, deu entrada na UTI do hospital geral do estado, junto com 18 pessoas da platéia, apresentando quadro clínico de risotonia gargalhal aguda, batendo o Record pan-americano de aposentadoria prematura vitalícia com grande louvor.


12 janeiro 2008

Sorvete, carinho ou os dois?



Um carinho... Com cobertura de abraços apertados e recheio de cheiros e lambidas, alguns flocos de beijos semi-roubados e muitas pseudo-mordidas, estas espalhadas por cima pra dar um aspecto de verão, tem calda de promessas daquela verde-esperança e juras diet de amor eterno para que com a ranzinza balança não haja preocupação.
Um carinho.
Está tão barato não acha?
Um carinho.
Toma logo, se derreter perde a graça.

09 janeiro 2008

Para minha vó


Entendo a perplexidade instante de teus olhos quando admirada de si mesma contemplas tuas mãos velhas e cansadas, compartilho enfadado uma dor que naturalmente ainda não a suporto ao ver-te encharcada de toda a humanidade que te mareja os olhos, diluindo junto com as lágrimas a tua alma triste, organizo minhas e tuas lembranças para saber sorrir dos dias em que me tomava pelas mãos e cantava pedaços de sorrisos, fragmentos de tua paz ainda colorem minhas noites ruins, então sei que nunca é em vão a vida dos que amam. Percebo calmamente cada dor em teus gestos de solidão, mas tu nunca estás sozinha vó, leva contigo minhas cores pra onde quer que tu vás.
Eu sempre percebo os momentos em que tu oras pedindo a Deus alguns últimos pedaços de arco-íris...

07 janeiro 2008

Verão


Palavras de emoção
Já vem vindo o verão
Canto do fim de primavera
Calor no coração
Não quero ouvir mais nada
Em mim já é verão
Palavras de emoção
Canto do fim de outono
Não quero saber mais nada
Em mim já é verão

03 janeiro 2008

Mais um ano, mais humano


Mais um ano, e eu, humano que fui e mais humano que antes, deixei na curva sumir ao longe o laço do abraço não dado, como que pelo retrovisor observei atentamente perder-se no caminho a saudade não interrompida, um desejo não saciado, os olhares e sorrisos nunca trocados, vi pés distanciarem-se sem nunca terem se aproximado. A dor, só esta foi companheira na partida, foi amiga na saída de uma vida não sentida, do amor nunca feito, assim, sem chances ou oportunidades, desperdiçadas ou não. Espero que o tempo passe, e em verdade eu o vejo voar mais rápido do que a luz, mas não há bem algum nisto, a impulsiva ampulheta do tempo só roubou-me o brilho nos cabelos e a alegria dos olhos, esse tempo que é impaciente, não faz idéia do que é uma vida inteira em distância de sonhos em comum. Se eu fosse esperar você, seria mais feliz, esperaria um pouco mais... E um pouco mais, e seria por longo tempo, e eu seria grato por entender que o tempo passaria, ainda que agora com velocidade reduzida, já que este, (o tempo), possui velocidades diferentes para cada situação que o coração viva. Eu não possuo grandiosidades, mas isso não é o principal para a alegria dos que se doam. Meu presente minhas palavras são, meu abraço é, eu espero que o tempo passe, e agora tanto faz a marcha que ele use, não há pressa alguma em viver infeliz. Isso é o que todos esperam da vida, a cadência de lindos sorrisos enfeitando doces palavras sussurradas, os cabelos afagados por mãos parindo carinhos, olhares que cintilam como estrelas fingindo uma instante ausência de medo, eu sei, só precisamos de tempo, esse mesmo que corrói a alegria de muitos, mas que tentando redimir-se do mau que quase sempre faz, aprendeu a curar feridas, suavizar despedias e acalmar a angústia dos que se perdem de amor.
Mais um ano, e eu, humano que fui e mais humano que antes, vi pés distanciarem-se sem nunca terem se aproximado...