Segunda-feira, Dezembro 14

Dia de Cão



Nunca mais eu havia suspirado assim, nunca mais havia sequer suspirado, não sonhava e nos meus sonhos não beijava ninguém. Meu cachorro suspira, Deus sabe o quanto eu queria ouvi-lo falar de suas sentimentalidades, entendê-lo, gostaria de sentir o que um cachorro sente ao suspirar tão humanamente quanto eu num dia de cachorro, talvez eu sinta... eu molho biscoito no café e dou a ele esperando que sua alma canina sinta um pouco de humanidade, espero que ao dissolver aquela massa umidecida eu encontre nele um sinal de que somos todos animais que sonham.

Acordei pensando nela outra vez, ouro de tolo quando se pensa ter algo perto das mãos, quando o impossível chega sorrindo e te abraça com força e saudade, o impossível me ama! ela não.

Eu sinto uma tristeza imenssa quando a música acaba devagarinho, diminuindo o seu volume e vai sumindo, me da saudade quando acaba o livro, me da saudade quando acaba o ano, me da saudade quando num domingo a tarde viajo de volta pra casa.
Me sinto triste quando não me sinto feliz, não preciso estar necessariamente triste pra me açoitar a tristeza, basta eu não sentir euforia, para cada “15 minutos de fama” e alegria eu vivo 1 hora de tristeza ou outro sentimento derivado semelhante a ela. Pensando assim não vivo, apenas regrido numa conta negativa rumo ao infinito...

Eu não sou essa pessoa que hoje encontro no espelho, sou a morte de muitos eus, sou um renascimento diário, sou descendente de mim mesmo, eu não sou eu vou sendo, quando dá, quando der. Meu sonho era causar nas pessoas o mesmo impacto que as pessoas causam em mim, gostaria de que as marcas que me deixam no peito eu também as deixasse em todos aqueles corações que me agradam. Hoje eu fingi, hoje eu n sabia o que sentir, hoje foi um dia de cão com direito a coração querendo sair pela boca.


Segunda-feira, Setembro 21

Não se sabe


Já pouco importa lembrar-se do que dizer na hora certa, pois esta parece que não chega, então para você eu pareço vencer pelo cansaço a felicidade que insiste em rodear meus olhos, enquanto para mim você parece não entender que percebe minha teimosia pelo que é triste. Nada disso também importa, pelo menos enquanto somos distantes. Não nos sabemos, não houve toque, contato algum, e segue-se a vida numa infindável ciranda de incertezas que vão semeando grãos de dúvidas sobre nossas frontes. Será que amanhã o futuro chegará logo, ou ainda tarda este a vir? Eu não sei. Viver é também não saber.

Segunda-feira, Setembro 14

Tuchê!

Sinto do lado esquerdo do peito uma ferida aberta, é o velho amor na certa, viver é amar, função de viver: Amar de portas abertas. Alguns fingem bem, se escondem entre facetas, esquiva de sentimentos, encenação, fingimento. É meu caro, parece que o amor te pego de repente, dessa vez mais forte, mais rápido, mais certeiro que a serpente. É meu caro, parece que o amor te pegou de veneta, na baixa guarda do coração, na mordida do bocal da caneta. Justo agora que estavas confiante, justo agora que parecias sem saudade, reerguido, vestido com o pijama da tranqüilidade.

Todos os olhares do mundo não significam nada, só um par de olhos te atrai, te agrada. Só aquele sorriso te afeta, te intriga, só aquele cheiro te acalenta, te embala, só aquele beijo te alimenta. Somente o medo te observa, espreita, espera, suspeita... No baixar da guarda te acerta! Tuchê! Pontada mais fina que agulha de crochê.

Tolo coração, mil e uma vezes encantado, mil e duas, mil e três, mil e quarto vezes o mesmo impacto... Quem da mais? Quem vai levar teu coração barato?

Quando o ”Eu” ama o “Tu” e o “Ele” esteve sempre lá é quando o “Eu” ama sozinho e tu te pões no teu lugar. Quando o “eu” conta a todos “vós” e depois sente que o “nós” não chega a se concretizar. Quando se espera algo e esse algo não vem, quando se ama alguém e esse amor não ama ninguém, quando se sente a dor e essa dor não se sente bem, quando se sente amor e esse amor não te convém. Nesse duelo o único elo te vence com louvor, é o espadachim que te lampeja a mente como martelo, forjando inoxidáveis correntes do mais puro amor.

Sexta-feira, Agosto 28

Pra sempre


É um tempo de cheiro de chuva esse de agora, é um gosto de tristeza na boca, e o coração pedindo um pouco mais de ontem, de muitos ontens atrás, e o relógio mentindo a mim as horas, fingindo ser pouco o tempo que se desperdiça com o que não vai ficar pra sempre, porque o pra sempre, é só uma questão de boa memória.

Quinta-feira, Junho 25

Hope...



...sempre?

Segunda-feira, Maio 18

Aniversáiros contra o tempo II


Os gigantes adormeceram outra vez em meus olhos, não por merecimento, mas por mera piedade, um tanto trégua, um pouco abrigo, e eis que quando percebi, já se assemelhavam às coisas inertes, desfalecidas, era um sono pesado, sereno, ademais, tranqüilo, e as coisas que antes pareciam grandiosas demais ao meu cético entendimento, agora eram tão lógicas e intensas quanto perceber o escuro ao apagar das luzes de um cômodo qualquer. Mas, não me engano tanto mais, esses gigantes apenas fingem um sono profundo, pois nesse mundo, são minhas investidas na vida quem entendem o bastante de inércia, sinceros objetivos atenuados por um Morpheus qualquer. Isso me lembra viver, vencer os dias em desalinho ao tempo requer coragem, já que as datas nos marcam não apenas o corpo, mas também o espírito, por isso que digo: onde está o valor de se viver os anos senão no regozijar-se naquilo que é o grandioso e absoluto presente-mór do Deus dos céus, que não é outro se não a vida? A vida aos vinte e nove é ainda jovem e robusta, um conforto, diante de tantos percalços oportunistas, e já não há mais tanto medo assim em gigantes adormecidos no canto de nossos olhos, nós apenas os vencemos, e quando outros vêm (outros sempre virão) os derrubamos de novo, a dor ensina isso, ser forte não requer prazer. Apenas vença, pois sei que assim como eu, você ainda é tão jovem, meu amigo. Ainda somos tão jovens. Feliz aniversário Pedro.

Quinta-feira, Abril 30


Se não fosse por conta daquela imagem eu seria hoje, muito mais feliz... Seria feliz em minha ignorância frente à realidade que despenca sobre minhas córneas, estaria longe de tudo, estaria à margem, passaria ao largo, cego sorridente expressaria sempre a minha ausente noção adormecida... Agora me sinto infiel a mim mesmo, tolo labor cientificista de onde surgistes? Experiência hipotética em fusão de substratos e substâncias insubstituíveis! Toma teu rumo, ide!! súbito!!! A tua imagem me causa náuseas profundas, contundentes e tuas irrevogáveis certezas- (não hipóteses) - me transportam a um local nulo e desgravitacional, ao inverso do oposto das sombras... Galhardias, impavidez, desejos, confusão de espectros, um frio mistério, tudo tudo em um único lugar. E onde será o meu lugar? creio eu que neste formidável nicho de veludo e vime é que não o seja, creio eu que em minhas contas, a míngua não compra nem um minuto de ilusão, desculpe-me a falta de polidez minha cara! Vês este que vos fala? És finado e não dispunha de herança alguma. Acende uma vela no sétimo dia, e quaisquer gotas que precipitem nestes tempos, que não sejam de lágrimas, sejam gotas de chuva.
*Resumo do pó ao pós-vida em granito
Textos Avulsos

Quarta-feira, Abril 15

Rimas de Um Coração Fungado em Tristeza



A tristeza funga em meu cangote
Com um hálito doce porém frio e forte
Um Zeppelin cheio de suspiros incabíveis em mim
Faz flutuar meu amor em alturas terríveis
E depois o deixa cair ao chão em dores horríveis

Coração mais que cadente
Mais que pedante, mais que pedinte
Pândego coração pandeiro
Ébrio coração falante
Sóbrio coração ouvinte

Máquina manca e empenada
Encostada na quarta-feira de cinzas
No canto da escada
Em meio a ruínas

Para o lado esquerdo do corpo
Para os dois lados do riso
Coração estagiário anti-corpo
Coração que cava um abismo

Coração vermelho semaforizado
Por malabarismos vãos
Em busca de centavos trocados
Dando adeus sem dar as mãos

Coração micareta mascarado
Coração que chuta virando a cara pro lado
Sonha em ter feito gol
Coração impedido que o vento o levou

Coração a migué
Sem eira nem beira
Coração deitado em chão de esteira
Freguês do mesmo cabaré

Coração agora estéril
AM e FM estéreo
Atrás das grades no corredor da morte
Coração amador e pungente
Que toda dor agüente
Que toda dor suporte

Ah! e essa tristeza que funga em meu cangote
Ah! e essa tristeza que me cria um mote
Rima simplória para dor aguda
Que o coração me acuda
Que o coração seja forte.

Terça-feira, Abril 14

Aos trinta e três


Conte-me mais sobre o motivo pelo qual te alegra tocar minhas mãos ao deitarmos, dê-me mais, pois sempre é bom ter calma para viver os dias, eu sei que à noite nós iremos conversar outra vez e concordaremos num mesmo ponto, você não mais me vê como seu, eu não mais vejo o que existia de ontem em você. Apaixonante, era apaixonante nos ver, agora eu vejo você se afastando, porque sou eu quem está partindo, aos poucos estou deixando coisas para trás, o tempo cai pelo chão a todo o instante, escorre entre nós, nossa memória esqueceu-se do que nunca deveria ser passado, e eu, que passei os anos à procura do que me fazia feliz, agora passo mais um sem encontrar o que quis. Foi uma manhã triste a de hoje, uma terça-feira como outra qualquer, não fosse o dia 14. Eu nasci aos catorze dias do mês de abril de um ano do qual não sei nada, em 76 eu nem era eu ainda. O desejo de sentir frio superou meu amor pelo calor. Outro capítulo, outro ano, e a mesma busca, a mesma vida, é sempre a mesma vida, como sou imaturo. Até quando serei? Parabéns para mim, que há trinta e três anos odeio vê-los passar...


شهريار

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Quarta-feira, Abril 8


"Música é somente vibração de ar.Livros são apenas emaranhados de letras.Pintura é a mistura de cores sobre uma tela.Uma fotografia é apenas a luz sobre um papel sensível.E mesmo assim essas coisas conseguem tocar a alma.E tem gente que não acredita em magia".