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12 outubro 2011

Mariposa

Posted on 10/12/2011 12:04:00 AM by Pedro Neiva


Sua luz me atrai como uma mariposa fascinada, dando rasantes circenses em seu mundo perfeito. Atraí-me pra perto, envolve em milhões de teias de sorrisos imantados, em seus pares de coxas expostos, na sua boca nervosa, em teu semblante plácido. No subúrbio dos teus olhos libidinosos eu choro uma chuva de equívocos, no teu toque eu me arrepio e subo 2 graus centígrados. Uma mácula esbarra em meus planos, uma muralha, e eu te vejo através das grades da iniquidade, um passeio pela cidade à noite me faz lembrar teu rosto, as luzes dos postes passam por cima da minha cabeça pesada só pra me lembrar de que você é impossível, sinto vontade de te ver no banco do carona me fazendo rir um sorriso que ninguém mais me arranca da face congelada.

Mas o que eu julgava ser especial pra mim, vindo de ti, é corriqueiro para outros, a intimidade doada a mim é vulgar, é dessas medidas ínfimas de quatro casas decimais, quando se comparada a outros, e se esquivo a boca para moças que me querem é só porque somente cabe a ti em meu peito. Assim estou indo aos extremos até fugir da sua tangente, me perdendo, me anulando em troca de um néctar que só você produz e eu tenho que voar por perto, e você sabe que é igual a mim nos detalhes, e que falamos coisas ao mesmo tempo, e que completamos nossas frases e nos entendemos num só olhar. E eu sempre volto atraído por tua luz, e me sinto sujo por te desejar, é o ciclo teimoso da morte do meu ego, é a improbabilidade das minhas antenas ultrapassadas, é a dicotomia de dois sentimentos em peleja.

Somos todos insetos entorpecidos.
 
Só o que me cinge é o desânimo fatídico e talvez já famigerado para bons olhos de observador, qualquer um pode perceber a lassidão no meu olhar quando meu queixo fica prostrado pra baixo e meus ombros desabam se alguém te toca recebendo de ti permissividade lasciva. Chega o tempo que a dor nas minhas asas é maior que o bem de tua luz que me ilumina, é hora de me recolher, é hora de desistir perto da perciana, encolhido no canto da parede esperando alguém abrir a janela pra que eu possa voar pra longe, bem longe de ti.







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