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09 agosto 2008

Criador e Criatura

Sentados à luz de uma lareira esplendorosa que espantava a golpes a escuridão daquela noite fria, homens da cúpula do rei Alicário II, filho de Anamatério “O Eterno Sal”, estavam reunidos numa noite de festa e cantigas em meio a um lauto banquete e belíssimas dançarinas. Viam-se abastardos com o tempo da caça e da colheita e adoçavam a boca com um vinho da adega que só era aberta uma vez por ano, eles esperavam atentamente as estórias do mago Ozilus de Escandelarte, o maior dos magos tendo vivido todas, e mais alguns dias, das 40 gerações passadas. Ozilus chamou a todos para a sacada da imensa varanda lateral e contou-lhes uma estória jamais sabida:

“Contarei uma estória de um povo que viveu há muitas eras de distância de nós, há muitos mundos de caminhada sem fim, eram seres fabulosos, criaturas perfeitas, porém, viviam sobre o julgo de uma maldição, viviam com eles em seu mundo, seres chamados de Problemas.
Eram chamados Homens, todos eles adestradores de problemas, dissolviam-nos para que pudessem descer por entre suas gargantas fatigadas e assim pudessem encontrar a paz de cada dia. Muitos deles não acreditavam no poder destes seres, mas eles eram a miséria dos homens.
Viver era adestrar problemas, um após outro, ou muitos de uma vez só, viver era como encarar o mar revolto em ondas, vagas que se recusavam a retroceder, uma maior que a outra, viver era como fugir do sol que nascia todos os dias

Problemas eram como bolas de neve, nasciam pequenos e ínfimos, se tornavam maiores como monstros do pesadelo real de quem os nutria calidamente com a falta de providência. Problemas não aceitavam menosprezo, problemas não aceitavam falta de atenção, problemas não aceitavam subestima alheia.
Estes seres maravilhosos foram forjados no fogo da vida com o intuito, a sina e a missão de adestrar problemas, de todos os tipos, de todos os credos, de todas as raças, de todo inconsciente coletivo. Problemas eram o passa-tempo amargo e edificante, problemas eram domesticados, amarrados e cativados para os que conseguiam dominá-los. A maioria deles tinha por ventura um ponto fraco, era no meio de seus olhos famintos por adestradores fracos (amadores da falta de experiência).
Um problema tinha neste mundo a missão de se agarrar com unhas e dentes sobre o alvo para o qual foi criado, um problema era feito para procurar, imobilizar, sugar e talvez destruir seu mestre. Contam que o ponto fraco destas criaturas era entre os seus olhos, e só podia ser tocado se olhassem a criatura de frente e encarassem-no fixamente, destemidamente, desmedidamente bravios.
O maior dos problemas era aquele que se instalava, criava, reproduzia e proliferava outros assim como o primeiro, criaturas ferozes e abomináveis. Contam que Sir. Amadeus D´Gaule, um grande cavaleiro, matou o maior dos problemas na colina do Desespero Errante, à margem do Penhasco dos Cortadores de Pulso, a leste da Vila do Desencanto, junto a uma grande depressão acidental. Seus esforços foram tamanhos que a batalha durou por 7 dias e 7 noites e, tendo Sir. D´Gaule abraçado a defesa do pobre dominado pelo mal grotesco, era de sua inteira responsabilidade matá-lo. Diz a lenda que eles se extinguiram afogados em seus próprios problemas e que seu mundo desapareceu num grande julgamento".

Fez-se grande silêncio;

“Agora voltem a beber o vinho de suas taças e agradeçam a bênção que nos foi dada com uma vida livre de medos e de criaturas como estas, capazes de destruir todo um mundo... Brindemos!”