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30 outubro 2008

Palavra

Posted on 10/30/2008 10:51:00 PM by Pedro Neiva


Ele era velho e mantinha concepções velhas em sua cabeça, velha cabeça, tão novo, tão velha. Não havia nada neste mundo que pudesse ser dito, escrito, interpretado, representado, comentado e criado que não pudesse, incrivelmente, ser adaptado aos seus velhos parâmetros eternos. Numa longa caminhada em busca de felicidade, em busca de ar regozijante aos pulmões apertados por situações irônicas da vida. Ele que pouco tinha, guardava todo seu orgulho em pequenas coisas que possuia, um troféru de 1º lugar no concurso de xadrez da escola, uma foto do coral da igreja, uma carta de amor da primavera de 1986, um caderno com dedicatórias de amigos... de todas as coisas que possuia a de maior valor pra ele, jovem ancião, era sua palavra. Se não possuia nada ao menos possuia a palavra, homem de palavra pensava ele, e quantas vezes a quebrou? quantas vezes não a fez cumprir? haveria redenção para ele que não possuia nada?

Muitas eram suas dúvidas mas, a única certeza era, a de que pouco se espera de alguém que pouco tem, muito se espera da única virtude da qual um homem tem a oferecer... Sua palavra era tudo, quando o pouco vira muito. Quando se quebra a palavra se quebra a figura do homem, se quebra o troféu no chão da sala da censura e reprovação alheia, rasga-se a única carta de amor, silencia-se a voz no coral, perde-se o caderno de boas recordações...
Não conseguia manter sua palavra, aos poucos todos desacreditavam, todos percebiam o fraquejar, a mudança de planos, o deixar pra depois, as promessas de um ano diferente. Até que um dia apareceu em sua porta um livro, com uma verdadeira palavra, bela, maravilhosa e invejável palavra que sempre se cumpria, no fim de cada prazo se cumpria, então ele a admirou e aprendeu a tê-la pra si com se dele fosse, pra ele tornou-se a sua palavra. Depois disso mais do que a palavra escrita, ele tinha a palavra na ponta da língua falada e lembrou que no coral era cantada, nunca mais precisou fraquejar nem adiar pois a palavra falava por ele, quando o pouco vira muito.

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