Advertência!

O conteúdo deste blog pode, literalmente, projetar você para algum lugar no tempo-espaço...

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14 outubro 2006

Velhos

















"O lençol que cobre as pernas da minha sobrinha tem sempre desenho da Disney, eu fico pensando o que vai cobrir as pernas dela quando já não for mais criança... Calças jeans justas, as pernas de um namorado soberbo que nem se importa com o mundo ou o nada que existe abaixo do limite da sua mini-saia. Tudo isso faz-me lembrar do que escrevi para a Manu de um certo fotolog, tentando ver a diferença da vida de hoje para a de quando eu enxergava as estrelas através de uma luneta improvisada com um caneta Bic sem a carga de tinta. Realmente o tempo envelhece a nós como a qualquer outra coisa, roupas, corpos, casas, carros, tamanho de roupas, sonhos..."


Théo

17 julho 2006

O sonho é popular



Estou cansado de receber e-mails de revistas especializadas em carros que eu n tenho dinheiro pra comprar, estou cansado, todos se enroscando querendo algo de mim, sorver, sugar, tudo e todos para si. Chega o dia em que você põe a cabeça no travesseiro e percebe que muita coisa em sua vida é baseada nisso, jogo de interesses, você é aquele peão movimentado arbitrariamente, colocado de forma a proteger o bispo e salvaguardar o rei. Você é o pára-choque de muitos, a fortaleza de poucos, a ponte sobre o vale tenebroso, a lanterna iluminando algo... acende e apaga, acende e apaga... brinquedo de abajur, corda, fricção. Sem que se perceba você vai locupletando a vida de alguém, vai assumindo missões submissas, guerras santas em prol de uma causa que desconhece, soldado raso lutando sem saber o motivo. Fogo amigo na linha de frente, e os anos vão passando... não quero acordar de um sonho que outros sonharam, “O sonho é popular...”.

31 maio 2006

De todas as mãos




De todas as mãos que segurei existiram algumas que apertaram muito mais do que as minhas mãos.Por vezes houve as que me apertaram o coração e a alma e viver de alma e coração apertados não é estado tão feliz.Estado feliz é ter a alma e o coração afagados pelas mãos que apertamos com carinho.Quando cansado eu costumava me perder de saudade entre a música e o sono, e num misto de longe-presente, distante-ausente, simplesmente adormecia segurando tua mão, hoje me canso das coisas que deixam saudade e vou dormir depois de me perder das mãos que outrora afagara e esquecia de apertar...




[click, baixe e ouça:]
http://rapidshare.de/files/21855130/The_Cranberries_-_Never_grow_old.mp3.html

17 abril 2006

In Memorian




A maior perda da humanidade se dá, quando um homem culto falece e não passa adiante todo o seu conhecimento para pessoa alguma, quando sua carga de intelecto finda-se selada com sua morte.
Não se consegue transferir completamente o conteúdo de sua mente pensante sem que algo se perca, em vida, somos o que somos devido ao conhecimento que temos acesso, vindo de pessoas que sabem mais do que nós para que um dia saibamos mais do que elas, somos um somatório de uma progressão aritmética de saber, somos eu e você que formam um resultado influenciador e influenciado pela natureza humana de transferir conhecimento.
Eis que alguns, por motivo desconhecido, como por descuido divino, avançam muito mais além do que nós e nos deixam de relíquia, o desafio de tentar entender seus pensamentos sem o devido material humano necessário para isso, talvez gerações futuras consigam realizar essa tarefa. Enquanto isso o silêncio é mais esmagador sobre os impacientes que sobre os mudos no mundo racional.

18 fevereiro 2006

Meus sobrinhos


Da porta que se oferecia aberta pela esquerda da sala saiu correndo, brincando de algazarra várias palavras mal pronunciadas, todas eram felizes e estavam pulando umas sobre as outras. Ouvi de longe alguns "ês" e "ahs" que pareciam me fazer voltar à época em que tinha eu mãos que não chegavam a sete centímetros e cabelos de fios com menos de cinco anos de nascidos sem nunca terem sido cortados. Eu era naquela oportunidade parte daquilo, hoje, não mais que um estranho, um intruso que não aceitou crescer, alguém que é sem ao menos querer ser...
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[Como é lindo ver meus sobrinhos brincarem]

01 fevereiro 2006

Sleep


sleep
Life caption

"A engenharia cai sobre as pedras
Um curupira já tem o seu tênis importado
Não conseguimos acompanhar o motor da história
Mas somos batizados pelo batuque
E apreciamos a agricultura celeste
Mas enquanto o mundo explode
Nós dormimos no silêncio do bairro
Fechando os olhos e mordendo os lábios

Sinto vontade de fazer muita coisa...."
(Chico Science)

26 janeiro 2006

Metamorfose



Quando tudo depende de algo, quando todos esperam, algo... Quando anoitece e você começa a sonhar, todos os dias, alto... Grandes necessidades, poucos recursos, às últimas chances de mudar. É difícil admitir que precisamos de ajuda, é difícil desistir e é difícil continuar tentando, começamos a levitar e algo nos traz pra baixo novamente, conhecemos isso com o nome de Realidade, é tudo que nós temos. A única coisa que podemos fazer é modificar nossa realidade para melhor, como convir, como melhor for diante de nossas necessidades, mudar é a capacidade mais extraordinária que o ser humano pode conceber em seu âmago.
"Hoje eu acordei
Agora eu sei
Viver no escuro
Até que a chama se acenda..."

14 janeiro 2006

Aritmética

O dia todo, todo dia, sem faltar nenhum, sempre tenho a sensação aritmética de que o ontem mais o hoje é igual a menos um, deveria ser mais dois.O interessante é que das coisas que menos gosto de pensar na vida, a matemática figura entre os primeiros, ela está sempre associada à idéia de chatice exacerbada.Mas ontem sequer eu somei, ou ainda, dividi – o que seria louvável.Na verdade, só subtraí.Foram diminuídos meus dias – menos um, multiplicadas minhas dúvidas – à terceira potência, outra vez diminuída minha paciência com problemas idiotas – menos quinze agora. O dia todo, todo dia, sem faltar nenhum, sempre tenho a sensação aritmética de que o ontem mais o hoje é igual a menos um.Deveria ser mais dois.Odeio pensar algebricamente, preferiria passar meus dias tão somente a observar as pessoas andarem, ou ainda, a própria vida passar de saias curtas às minhas vistas.

14 dezembro 2005

Amor - Guia de Corações Cegos



O amor é como um guia em tempos de corações cegos, ele que movimenta as galáxias misteriosas de nossas bocas num sorriso largo, afago da alma.
Ele nos fortalece, e nos faz fortalezas, cria e recria os cálidos beijos, as compulsivas demonstrações de gostar, de querer... A menor distância entre dois corações.
Eis o amor, simples, imparcial e resmungão, insistente e persistente, e quando tentamos nos encontrar, ele já esta ali a nossa espera...
Ele nos faz falar de nossas sentimentalidades, ele nos conjuga a seu modo, nos governa às ações, e nos guia através da noite eclipsada... Por vezes nos tornamos seres bem mais completos que imaginávamos ser um dia, bem mais ternos e suportavelmente fortes.
O amor meu jovem, corteja a si mesmo, conta estrelas no céu e ainda escolhe uma pra darmos de presente. É uma parte de nós doada, não por nós, doada por ele mesmo.
Eis o amor: sopro de todas as luzes ao coração

24 novembro 2005

Linhas de expressão



Recordava-se agora que era velho, era velho mas sua mente era jovem, ali sentado ao banco de uma praça qualquer, entretido com o vai e vem das pessoas, olhar eclipsado, calmo, terno como um cervo, terno como o brilho de um espelho d´água plácido... Lembrou-se do tempo em que temia a vida e o futuro, lembrou-se das incertezas dissolvidas com o passar do tempo, dos anos... Estava amadurecido, entendia agora o sentido das coisas que o cercava, diferentes mas seguindo um mesmo princípio.
Quase não fumava, mantinha estendido nos dedos o cigarro como algo ilustrativo, sua presença era o bastante, num desses momentos em que nossas mentes viajam em pensamentos felizes, fumar era o que menos importava... Lembranças, ahh as belas lembranças, todos nós as temos guardadas em nossas mentes. Certas vezes esquecemos delas, outras vezes são apagadas pelas dores. Esse velho senhor sentado ao banco estava mais radiante que de costume, a vida o ensinou que a sincronia “homem e tempo” só se torna absoluta quando a idade avança, é uma forma natural de compensar a perda de um ritmo cósmico e físico mundano, o tempo não, este não se sabe nem se estabelece idade, então decidiu ser como o tempo, ser implacável e forte, decidiu viver eternamente como ele nas cabeças de quem lhe foi próximo e íntimo.
Cada ruga – pensava – valia a pena, cada dobra, cada expressão, cada falha momentânea de memória, almoçar com uma colher das de chá?¹, cada segundo pausado por recordações, cada dor lombar e tosse insistente... Mais insistente era ele, ancião saudosista e não melancólico... Melancólico apenas quando chovia à noite. Plantar árvores?² Mais valia plantar alegrias nos corações humanos, pensava ele. Seis da tarde, hora de voltar pra casa e no caminho, a padaria o esperava como um velho amigo imortal.

¹ Quando se vai fazer uma refeição e escolhemos na gaveta, os talheres errados por algum motivo desconhecido.

² Referência ao ditado no qual se diz que um homem antes de falecer, deve: ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore.