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Mostrando postagens com marcador Aniversário. Mostrar todas as postagens
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14 abril 2011

Trinta e cinco

Quer saber? Eu sinto saudade, e isso é tudo o que sinto. Saudade... assim, como quem já não vive, como quem foi esquecido, coisa semelhante ao que se apagou das lembranças de outrem. Um trem que parte levando metade da gente, um aceno de mão que nunca deveria ser dado, um pedaço de meias verdades ditas sorrindo, só para iluminar a foto. Mas era menos complicado saudadear na infância, afinal, isso só durava uma tarde, e na noite e manhã seguintes eu reencontrava as duas da minha vida: a irmã mais velha e a amiga. Saudade era uma brincadeira de vida curta, agora tudo se tornou durável e o sentir falta é estado latente, instante, e entristece tanto. Preferia não entender o ponto em que isso mudou fazendo brotar em mim essa idéia constante de falta que só aumenta com o aumentar dos anos, e quando estes já somam trinta e cinco, as saudades todas já não mais cabem em uma cidade de oitocentos mil habitantes.
Vejo agora que a cada ano acrescentado à minha vida, proporcionalmente são também acrescidas novas saudades e porções a mais das já existentes. Saudades de uma casa azul desbotado, de uma rua calçada, de um campo de futebol de terra batida, de amigos com dentes de leite, de sessões de sábado, de Jairzinho e Simony e Balão Mágico, de refrigerante Taí, de DipN'Lik, Iô-iô, de claramente ouvir a voz de Deus, mesmo sem saber quem estava falando comigo, de ficar feliz em ver Taizinha sorrir, de passar o ano esperando o Natal e os poucos presentes. Trinta e cinco anos se passaram, e hoje eu me acostumei com a dor...

18 maio 2009

Aniversáiros contra o tempo II


Os gigantes adormeceram outra vez em meus olhos, não por merecimento, mas por mera piedade, um tanto trégua, um pouco abrigo, e eis que quando percebi, já se assemelhavam às coisas inertes, desfalecidas, era um sono pesado, sereno, ademais, tranqüilo, e as coisas que antes pareciam grandiosas demais ao meu cético entendimento, agora eram tão lógicas e intensas quanto perceber o escuro ao apagar das luzes de um cômodo qualquer. Mas, não me engano tanto mais, esses gigantes apenas fingem um sono profundo, pois nesse mundo, são minhas investidas na vida quem entendem o bastante de inércia, sinceros objetivos atenuados por um Morpheus qualquer. Isso me lembra viver, vencer os dias em desalinho ao tempo requer coragem, já que as datas nos marcam não apenas o corpo, mas também o espírito, por isso que digo: onde está o valor de se viver os anos senão no regozijar-se naquilo que é o grandioso e absoluto presente-mór do Deus dos céus, que não é outro se não a vida? A vida aos vinte e nove é ainda jovem e robusta, um conforto, diante de tantos percalços oportunistas, e já não há mais tanto medo assim em gigantes adormecidos no canto de nossos olhos, nós apenas os vencemos, e quando outros vêm (outros sempre virão) os derrubamos de novo, a dor ensina isso, ser forte não requer prazer. Apenas vença, pois sei que assim como eu, você ainda é tão jovem, meu amigo. Ainda somos tão jovens. Feliz aniversário Pedro.

14 abril 2009

Aos trinta e três




Conte-me mais sobre o motivo pelo qual te alegra tocar minhas mãos ao deitarmos, dê-me mais, pois sempre é bom ter calma para viver os dias, eu sei que à noite nós iremos conversar outra vez e concordaremos num mesmo ponto, você não mais me vê como seu, eu não mais vejo o que existia de ontem em você. Apaixonante, era apaixonante nos ver, agora eu vejo você se afastando, porque sou eu quem está partindo, aos poucos estou deixando coisas para trás, o tempo cai pelo chão a todo o instante, escorre entre nós, nossa memória esqueceu-se do que nunca deveria ser passado, e eu, que passei os anos à procura do que me fazia feliz, agora passo mais um sem encontrar o que quis. Foi uma manhã triste a de hoje, uma terça-feira como outra qualquer, não fosse o dia 14. Eu nasci aos catorze dias do mês de abril de um ano do qual não sei nada, em 76 eu nem era eu ainda. O desejo de sentir frio superou meu amor pelo calor. Outro capítulo, outro ano, e a mesma busca, a mesma vida, é sempre a mesma vida, como sou imaturo. Até quando serei? Parabéns para mim, que há trinta e três anos odeio vê-los passar...




شهريار


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16 abril 2008

Aos trinta e dois




Conte-me mais sobre o motivo pelo qual te alegra tocar minhas mãos ao deitarmos, dê-me mais, pois sempre é bom ter calma para viver os dias, eu sei que à noite nós iremos conversar outra vez e concordaremos num mesmo ponto, você não mais me vê como seu, eu não mais vejo o que existia de ontem em você. Apaixonante, era apaixonante nos ver, agora eu vejo você se afastando, porque sou eu quem está partindo, aos poucos estou deixando coisas para trás, o tempo cai pelo chão a todo o instante, escorre entre nós, nossa memória esqueceu-se do que nunca deveria ser passado, e eu, que passei os anos à procura do que me fazia feliz, agora passo mais um sem encontrar o que quis.
Foi uma manhã triste a de anteontem, uma segunda-feira como outra qualquer se não fosse o dia 14. Eu nasci aos catorze dias do mês de abril de um ano do qual não sei nada, em 76 eu nem era eu ainda.
O desejo de sentir frio superou meu amor pelo calor.
Outro capítulo, outro ano, e a mesma busca, a mesma vida, é sempre a mesma vida, como sou imaturo.
Até quando serei?


Parabéns para mim, que há trinta e dois anos odeio vê-los passar...

15 abril 2007

Aniversários contra o tempo










Lembro-me do dia em que me vi jogando aquaplay


e havia um ferro de passar na mesa do café da manhã


recebi uma mensagem subliminar no celular verde made in taiwan


uma manga à minha frente amadurecera mais rápido do que eu


o termolar já não conserva o calor que o coração perdeu


easy-off pra limpar o fogão junto com a fogueira das minhas vaidades particulares, tudo em off...metade de um tomate, um batedor de bifes batendo estacas e estalagmites, karo amido de milho, caro vejo pelo preço


um açucareiro com formigas fujonas


todos os produtos do ninho da nestlé com 1001 maneiras de se preparar e nenhum vem totalmente pronto


um alvejante pra se conseguir alma lavada e um passe-bem! pra me sentir mais altruista quando encontrar um transeunte de última geração, ao dividir a mesma calçada...


- feliz aniversário atrasado brother! passo depois pra bhramearmos... -

23 novembro 2004

28...

Vinte e oito vezes as chances renovaram-se para mim, não sei até quando mais irão, finjo não me preocupar com o fato de consumirem-se sem o devido aproveitamento.
Vinte e oito vezes eu contei incerto e inseguro a passagem do tempo,que não perdoa nem volta atrás. Para mim é mais que estranho,é deprimente o fato de que somos extremamente impotentes contra algumas verdades tidas como incontestáveis,tais como: Eu também vou ficar velho,eu não sou a pessoa mais interessante do mundo,a ma temática é chata,a trilha sonora do surf é o reggae e não o Men At Work,Beach Boys ou coisa do tipo,a trilha sonora da minha vida é renovável,eu também vou morrer,mesmo que não queira,quando se ama alguém é bem provável que essa pessoa não te ame.
Vinte e oito vezes o verão aqueceu os meus dias,trazendo consigo a esperança de dias melhores,como deve ser.
Vinte e oito vezes o inverno precipitou seu pranto sobre nossas casas,dando vida às nossas plantas,embaçando nosso olhar no nosso quarto,pelo vidro da janela,ajudando a materializar a saudade de álguém que já não se tem.
Eu espero tão somente poder entender isso tudo.É que talvez um dia algum amigo me pergunte o que foi o melhor da minha vida,eu deverei responder.A opinião acerca das coisas muda segundo o entendimento.
Devo entender tudo isso,ou seria notória minha desnecessidade de vida se por acaso morresse eu agora,pois teria jogado fora essa minha vida,e sobretudo,errado vinte e oito vezes...

18 maio 2004

Um Dia no Calendário



*Mais um ano... há exatos 24 anos desta data viria eu “filho do carbono”, adiantado um mês da ordem natural das coisas, dar o ar da graça com a minha chegada à realidade. Desconheço a origem dessa pressa ou adiantamento involuntário que, creio eu, tenha pesado em definir algumas características íntimas de minha personalidade. “Só sei que nada sei, e tudo quero saber” estou praticando mais do que nunca esse ensinamento de Sócrates pois vi que é através do estudo que podemos realizar sonhos possíveis e alcançáveis, aqueles impossíveis e remotos eu deixo para o passado... se existe uma coisa que morre conosco e nunca poderá ser transferida para outra pessoa de modo integral é o conhecimento. Ele desfaz-se como vapor depois do último suspiro, sublima, a chama se apaga. Quero ter grande conhecimento por mais que ele se perca comigo, por mais que ele só exista na minha mente – não são assim os sonhos? Concentrando-me na ação e reação dos meus atos estou me sentindo melhor hoje, aniversário do Papa Carol Vojtyla, aniversário de minha prima Jasiele, aniversário de Vinícius, aniversário de tia Dete (tia emprestada) e muitas outras pessoas... não é meu, é nosso. Minha avó ainda me manda presentes com um cartão ou etiqueta adesiva como “Vovó” e é isso que importa realmente! para algumas pessoas você nunca vai crescer: “Se meu filho nem nasceu eu ainda sou o filho”. Algumas pessoas sentem-se extremamente tristes pelo fato de alguém não lembrar do seu aniversário, eu prefiro que alguém lembre de mim no dia-a-dia, pois não gosto muito do meu, não gosto de me sentir especial nem de estar no centro das atenções e acho que herdei isso de meu pai. É somente uma data e deve ser utilizada para se refletir sobre o que foi feito em um ano inteiro.