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Mostrando postagens com marcador Pensamentos Soltos. Mostrar todas as postagens
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04 novembro 2015

Travesseiro alto







Mais uma vez eu acordo no meio da noite, calor e travesseiro alto. Estranho a cama e a vontade é a de cair num mar de esquecimento... Meu amor dorme tão dócil e terna ao meu lado, que não há como não invejar o seu sono... Mesmo com todo o amor do mundo uma parte de mim entristece hoje. Eu que sempre dormira demais, hoje me encontro com a insônia quase que regularmente, eu, justo eu que nunca me acertou a vontade da pontualidade - encontro marcado com o nada. Meu velho inimigo voltou dos mortos, ele zune em meu ouvido, micro desmaios em minha cabeça e um medo terrível de um não engajamento. O travesseiro vai se tornando cada vez mais alto e a cabeça mais pesada, meu corpo agora se assemelha a de um marciano de Orson Welles - O corpo pequeno, a cabeça enorme em grau de atividade - estou sem campo de força que me defenda além de um mosquiteiro furado. Flutuando em meus próprios erros, o teto agora me parece uma prensa hidráulica.

É quando a insônia põe o dedo na minha cara, diz que sou moleque e me chama pra lutar, que eu compreendo os olhos arroxeados de quem não dorme. 

23 maio 2014

Não Está Contido



Você fala muito, mas poucos te ouvem, você tenta fazer parte de algo, mas esse algo não faz parte de ti, e os dias vão passando. Alguém te manda um sorriso amistoso e você finge que está acostumado, o tempo vai passando e você finge não se importar, finge não sentir-se mal, mas algo te joga no chão. Você tem muitos desejos, alguns proibidos, e poucos viram realidade... Muitos estão lá se esgueirando entre lacunas da sua cabeça inconformada esperando, esperando...
Você se sente fraco até saber o quão forte pode ser, se acovardar ou enfrentar seus medos diariamente enquanto todos representam seus papéis. Há sempre um silêncio depois de se dizer o que se pensa, como uma autocensura embutida em nossa mente, entre o que você diz ser e o que você mente. E aquele lugar que você espera achar parece cada vez mais longe, enquanto você folheia um livro que na sua cabeça só você entende... 


15 janeiro 2010

Todas as Desculpas



Todas as desculpas são desnecessárias, sem remorsos, hoje dor amanhã um espetáculo de placidez, ela me faz bem, ela me faz bem... Ela e às vezes a vida.

Minhas veias são amestradas, minhas pupilas dilatadas, sabor, furor, olhares trocados na escada rolante do shopping, vendedores de lojas de sapato, tênis mais que sapatos, mais que meias nos pés dos jovens ansiosos.

Família, futuro, parentes, paredes com marcas de rabiscos, sobrinhos com sorrisos hidrocor. Escova de cabelo, escova de dentes, dormir, acordar, receber um abraço gostoso! Gargarejar e sair correndo atrasado, olhar pro relógio apressando o tempo querendo encontrar alguém.

Todas as desculpas são desnecessárias se estivermos felizes ou esperançosos, toda dor vai pelo ralo de um banho demorado, toda dor some com aquela voz no telefone, ganhamos o dia se recebermos um certo beijo, um certo afago.
Nunca mais esqueci como amarrar meus cadarços do sapato, comer um sonho sentado no banco da praça... que dia bom! Meio sem graça mas bom, essa meia está apartada, chegando em casa quero andar descalço, e na tv passa um comercial de refrigerante enquanto eu estou com muita sede de viver.

08 janeiro 2010

De tudo que muda


Eu sei, todos no fundo sabem, somos tão inconstantes que nos tornamos acostumados a esquecer. Um não de quem esperávamos talvez sins sonoricamente regozijantes, uma mesa nua e vazia onde antes duas xícaras brincavam de quem esfriava primeiro o chá, um vaso azul aprisionava flores monocromaticamente indecisas onde agora só existe um chão vestido de piso quase novo. Num dia acordamos capitães de nossas vidas, noutro, nos deitamos passageiros de um destino desgovernado. Sorrindo percebemos a necessidade de não se guardar na memória nada que rime com saudade, pessoas fantásticas podem causar medo e fazer o estômago amargar a boca, por estas nos apaixonamos, estas parecem que nunca se apagam. E isso tudo importa, não como deveria, mas na maioria das vezes não conseguimos controlar a medida da importância que atribuímos às coisas que nos são por vida. Um dia eu vi a foto de uma garota, ela me guardou nos olhos quando nos falamos à distância pela primeira vez, era coisa de internet, esse mundo fascinante que minha mãe acredita ser um tipo de universo paralelo, e eu a tranquei em meu coração. A foto dela eu fiz parar em “Meus Documentos – Minha Imagens”, e o cheiro de leite que ela me confessou ter arrumou um colchão e um travesseiro e foi morar dentro de minhas saudades. Toda vez que essa saudade acordava eu corria e deixava meu olho lamber aquelas fotos presas lá em “Minhas imagens”, e então ela, a saudade, como os ursos nas estórias infantis que sempre adormeciam ao ouvir uma linda canção de ninar, voltava ao seu colchão rapidinho, e dormia toda cheia de roncos, de travesseiro entre as pernas e dedo na boca. Tenho a impressão que minhas saudades temem aquelas fotos enfeitadas de arco-íris em manhãs de sábado, mas enquanto humanos, somos tão variáveis. O cheiro de leite que ela parece ter eu nuca senti, e as fotos que dela tenho sempre mudam no outro dia, hoje elas não amanheceram enfeitadas de raios de sol, como de costume, mas isso é bom. Antes essa menina falava comigo me soprando as muitas cores que se misturavam em seu coração, agora suas palavras são tão cinzas que eu brinco de escrever nelas. Lembro que perto da minha mesa havia um vaso azul que aprisionava flores monocromaticamente indecisas, eu escrevi “saudade” no cinza da falta de cores que agora impera tão silenciosa em suas palavras...

28 agosto 2009

Pra sempre




É um tempo de cheiro de chuva esse de agora, é um gosto de tristeza na boca, e o coração pedindo um pouco mais de ontem, de muitos "ontens" atrás, e o relógio mentindo a mim as horas, fingindo ser pouco o tempo que se desperdiça com o que não vai ficar pra sempre, porque o pra sempre, é só uma questão de boa memória.

02 dezembro 2008

Narcominese





"A vida moderna tornou o ser humano um teórico nato, uma mistura insensata de filósofo, vidente e psicanalista amador, transformou os padrões ultrapassados, porém valiosos, em fecundas e surreais idéias falsas de controle, liberdade e autosuficiência. Todos neste mundo moderno, debaixo deste mesmo sol, observam, avaliam e comparam. Todos acham que sabem, acham que te conhecem bem, acham que sabem bem o que você sente ou deixa de sentir, acham que são referência em algo, acham que são ótimos em alguma coisa...Mas o melhor (ou pior) de todos os enganos mundanos modernos, é o engano de se achar capaz de enganar, o de achar que pode esconder algo, o de achar que pode disfarçar os intentos tão profissionalmente quanto Marlon Brando. Dê-me um falsário, dê-me um agnóstico, dê-me um arbitrário, dê-me um egoista ferrenho, Dê-me um Chauvinista, um mitomaníaco... Só nâo me traga um patético camuflador de intenções, pois esta vida não precisa de mais ilusão de óptica destes ilusionistas classe B analógicos..."

10 maio 2008

apaixonantes e apaixonados



Existem pessoas apaixonantes... Quando se gosta de alguém seu mundo se torna diferente, existe “um trem para as estrelas” onde podemos subir deixando a estação do vazio para trás rumo à estação do sorriso fácil...
Ficamos ali tentando imaginar como aquela pessoa pode existir, como ela preenche nossas expectativas, nossos anseios, nossos gostos. É como se ela tivesse sido criada por nós mesmos, em algum outro universo paralelo, pra nós, pois só nós sabemos o quão perfeitamente ela se encaixa na fenda do nosso coração.
Esta pessoa nos causa taquicardia, sudorese e nervosismo, ela entra constantemente dentro dos nossos sonhos sem pedir licença, tendo acesso livre a noite quando não podemos fingir... É quando nos sentimos confusos, pois não sabemos se a odiamos por não tê-la ou a perdoamos por não nos amar.
Às vezes ela fala conosco outras vezes não, e quando ela passa por nós não sabemos nos comportar, não sabemos para onde olhar, não sabemos mais nada!
Existem pessoas inalcançáveis, não por assim serem de fato, mas por assim ser a vida, por tamanhas dificuldades e diferenças, crenças e modelos. Existe uma linha que nos separa, traçada antes mesmo de haver um primeiro contato ou olhar, existem “muros de concreto entre nossos lábios”, há o que o tempo chama de: “Quase” ou de: “quem sabe da próxima vez”.
É aí que a vemos ir para outros braços, alguém melhor que nós, julgamos, e queremos tanto bem a essa pessoa que compreendemos que assim será melhor pra ela, ela estará mais feliz, numa forma de relacionamento mais compatível que o que podemos oferecer, ao ponto de nos sentirmos culpados por não sermos, por assim dizer, capacitados a receber amor de volta.
Fazemos uma trouxa enrolada em papel vermelho cor de coração partido, com uma vareta empenada de desolação e desconforto, damos aquele suspiro forteeee e seguimos em frente fingindo que nada aconteceu, fingindo, fingindo...
Somos apaixonantes e apaixonados o tempo todo, talvez tudo esteja na nossa cabeça, talvez desse certo, talvez não... “Talvez” seja a palavra perfeita pra esse sentimento. Luiza Braz disse que “Bastava ela ter certeza que suas certezas iam lá e se jogavam, que suas certezas eram suicidas”.
Se soubéssemos os tormentos que causamos aos outros sem saber, se pudéssemos saber quem se interessa por nós ficaríamos encantados e admirados! Não haveria desencontros nem receios salvo, pela recíproca verdadeira.

12 janeiro 2008

Sorvete, carinho ou os dois?



Um carinho... Com cobertura de abraços apertados e recheio de cheiros e lambidas, alguns flocos de beijos semi-roubados e muitas pseudo-mordidas, estas espalhadas por cima pra dar um aspecto de verão, tem calda de promessas daquela verde-esperança e juras diet de amor eterno para que com a ranzinza balança não haja preocupação.
Um carinho.
Está tão barato não acha?
Um carinho.
Toma logo, se derreter perde a graça.