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11 agosto 2020

 

Eu preciso de uma provocação pra escrever, algo que digam algo que eu veja com olhar atento, com o morder dos lábios, com toda minha miopia nervosa e abençoada. Preciso de um empurrão para desejar algo bom ou ruim, e tenho pensado muito em coisas boas ultimamente. Antes só a dor me dava o combustível da escrita, hoje prefiro me valer de escoras positivas de coisas boas dentro do peito. Prefiro os anos ímpares, são sempre os melhores pra mim, ano par é amargo e tenso, ano ímpar sempre é mais regozijante, cálido, vibrante, ponderado e me traz uma espécie de sagacidade, uma espécie de inteligência emocional que me protege. É estranho como me preocupo com as pessoas, é estranho como as pessoas se aproximam de mim voluntariamente, e depois, é estranho como elas escapam pelas frestas das portas de entrada, pondo as patas em mim, sujando meu carpete e desaparecendo sem alterarem muito, ou quase nada, a simetria dos meus sentimentos. Cada um sabe de si e eu só sei dos meus calos, perdi a paciência com pessoas, elas me adoecem... Meu psicanalista me faz por os pés no chão e eu me sinto com 200 kg, eu agradeço todos os dias por poder ouvir de um estranho como as coisas funcionam pagando 100reais por hora, quando ele interpreta meus sonhos tal qual José a serviço do faraó, “olhe nos olhos do faraó e você verá que ele n é a representação do deus Rá na terra”, toda quarta-feira ele me olha nos olhos e me diz o que os meus súditos me escondem: quem eu realmente sou nada divino.

Mas coisas boas me motivam mais, a vida é mesmo extraordinária pra quem sabe viver e eu ainda pretendo aprender isso, coisas simples me tiram a dor. (13/10/2016)



07 setembro 2013

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Costumava ficar até tarde da noite, esperando todos dormirem, só para sentir um pouco do gosto da liberdade que imaginava teria para sempre com a maioridade. Desde cedo entendeu que seu lugar mais confortável esboçava-se no vazio na alma que a falta de móveis de uma casa pode causar. Sua casa era um tipo de moradia intrometida, daquelas que a gente vai aceitando aos poucos pela insistência em fazer parte da nossa vida, mesmo quando não concordamos. Era uma casa que incomodava as raras visitas com a velhice de seu teto de telhas deprimidas e pelas feridas úmidas de suas paredes senis. Era também um pouco refúgio, mas muito mais, objeto de opróbrio, pela qual nutria uma vergonha instante que o ameaçava constantemente acompanhá-lo por toda sua vida. Toda sua vida, esta cabia na palma da sua mão, era tudo o que ele pudesse segurar com apenas uma delas, nada mais possuía. Ainda assim, vivia ele numa época áurea, tempos que deviam voltar para alegrar outra vez um coração que alcançou a maioridade tão somente pela contagem dos dias. Uma época onde costumava o céu chorar com muito mais freqüência, e era um choro lindo, como os de saudade de quem foi embora, sem nunca ter saído de dentro da gente. Lembro que alguns dos mais queridos amigos faziam de tudo para escapar das semiprisões maternas que do mundo nos queria privar por medo de nos machucarmos, e em meio a algazarras vespertinas íamos percorrendo todas as ruas do bairro, colhendo com a pele todos os pingos de chuva possíveis.  Assim era a década de oitenta, a mais fascinante que houve. De tudo o que vivi até hoje, guardo muito, um oceano gelado de tristezas cinzas, mas também um Plano Galáctico de dias felizes.

25 outubro 2011

Sobre um Livro de Comentários Perdido


Hoje reli coisas antigas no tempo, reli e me impressionei comigo mesmo. Por vezes acho-me gasto como grafia de caneta borrada, por gostas de água de uma biqueira alta, com ares de carrasco. A impressão que tenho é a de que minha estrela não brilha mais tão intensamente como antes, como num lapso desesperançoso, em uma cadeira de rodas imaginária, usando um cachecol que não combina com nada mais além de um desconforto iludido, expirado pra fora do peito (suspiro). São tantas mensagens positivas, tantos depoimentos, tantas palavras de força, de carinho, de admiração... Tanta coisa boa que não me ajudou nem sequer a atravessar uma rua... Pois infelizmente só eu mesmo poderia me ajudar, e acredite, eu tenho achado finalmente que isso é uma boa idéia. Agora estou rindo de mim mesmo num sorriso como tantos em minhas fotos, porém, só por dentro.

Acho-me asno por ser tão teimoso, acho-me teimoso por ser tão taurino e a culpa é toda do zodíaco, não minha, prefiro categoricamente me eximir dessa culpa, porque culpa é o que eu mais carrego, e não há mais espaços sinapticamente vagos, não há. Eu queria acordar numa ilha deserta, eu, uma mulher que eu ame e muitas planícies pra vadiar, mas a vida não é um sonho, na verdade nem o sonho é um sonho, o sonho é um desabafo simbólico do inconsciente. Enquanto isso vou me descobrindo entre problemas e não posso apelar para um super-herói qualquer, meus heróis são meus pais e um cara que me cobra por hora pra me falar verdades das quais eu preciso ouvir.

Sinto-me um besouro ricocheteando numa lâmpada econômica de 60 w, economizando pro amanhã, guardando energias, adiando a felicidade por acreditar em acordos de boca fluorescentes.
E para aqueles pra quem me dediquei em vão eu vos digo: Cuspa na minha mão como em Batter town, corte sua mão junto a minha, em pactos de sangue frágeis, e as ciganas não enxergarão mais nenhuma linha dominante nelas. Me enrole, me engane, finja, interprete malmente sua verdade e eu prometo partir no próximo ônibus espacial pra fora do seu planeta cosmicômico. Me colecione como eu te venero, esbarre em mim como eu me atirei em você e então estaremos quites, mas antes despedidamente, me olhe nos olhos e me ejete pra longe de uma vez, porque o muro se cansa do grafite assim como a falésia se deixa levar pela água, sem que esta arranque dela nenhum punhado de admiração.
Não peço nada em troca além de proporcionalidade exata e cativa. E para aqueles por quem me dedico de bom grado eu vos digo: Obrigado pelo carinho!

15 maio 2011

Dualidade




Uma parte de mim acredita a outra faz “tis!”, parte de mim estremece a outra torce o nariz. Parte de mim abandona, a outra sonha ser aclamada, Parte de mim me engana, a outra anseia ser amada. Parte de mim me enrola, a outra me abomina, parte de mim se joga e a outra me ensina, partes de mim partindo para destinos tão distantes, num aceno de mãos sem fim, em ciclos eternos constantes.

Parte de mim grita e a outra se cala, parte de mim exagera, a outra desmaia, num vulto envolto partes de mim se chocam e se anulam, num suspiro morno partes diferentes de mim que se aturam.

Então me parto em pedaços escusos, em partes perdidas, em cacos noturnos. Parte de mim se parte, e a outra parte, não tem mais como ser partida. Parte de mim me invade e a outra parte se vê derrotada e vencida. Parte de mim é inexata e a outra é medida.

Parte de mim é inverno e a outra verão, parte de mim é partilha e a outra solidão, parte de mim é inferno e a outra comunhão. Parte de mim a arte de partir-se no chão.

11 março 2011

Resquícios de mim



Eu namoro as letras, já não há mais moças direitas a namorar, a minha grama está seca sobre um solo despojado de encantos. Tudo que eu queria me falta, toda a sobra do que não quero vêm me abraçar, as esquinas se curvam às ruas hoje estranhas a mim, um carro vai veloz com um sorriso de alguém no interior dele que nunca mais passará por aqui. As velas só derramam sua parafina despendida pelo fogo, meus olhos só derramam minhas lágrimas desprendidas pelo coração em chamas. Tudo em que acredito não se aplica a mim, meu tempo nunca chegou, minha canção esta arranhada em algum vinil perdido no passado.

Minhas luzes me abandonam, meus sentidos zombam de mim, meu instinto me trai tão distraidamente quanto um cachorro no jardim de um hospício. Minhas peças estão em um tabuleiro de xadrez gasto como se eu enfrentasse Bobby Fischer e estivesse sempre em xeque, meu cantil não tem mais água, minhas idéias voam como na cabeça de Chris Mccandless. Na minha caverna eu me esquivo como Platão, em suas fendas eu me encerro como William Blake e me revigoro ao sobreviver como Daniel na cova dos leões.

Nada me interessa, nada me motiva, abençoado seja o controle remoto e as pilhas alcalinas, pois bem, adoro os olhos de quem sabe fazê-los brilhar intensamente mesmo sem destino.

Minha caneca preferida está rachada, assim como arranhado está o meu espírito, me apoio em mim mesmo como um hipocondríaco delirando ao adentrar uma botica esplêndida, me enxergo amanhã como nunca me vira antes.

Deixo-me especular sobre os meus próprios sonhos, me deixo roubar a mim mesmo, puxando um Ás por baixo da minha outra manga e mesmo assim, me surpreendo como sou sincero e íntegro não a mim, mas, por conseguinte a ninguém. A vida é um jogo, e o crupiê que da as cartas pegou num sono profundo.

18 novembro 2010

Sentidos, Tempo e Espaço...



Todo mundo muito ocupado
Por todo o mundo
Todo mundo seguindo em frente
Por todo lado
Em toda parte ou qualquer partida
Por todo espaço
Por toda vida

Todo mundo muito distante
Ali do lado
Todo mundo medindo atenção
Sem saber pra onde
Em todo canto
Em qualquer canção

A toda hora, a qualquer instante
Em qualquer andar
Em qualquer olhar
Em qualquer semblante

Em qualquer parada para abastecer
Em qualquer escada rolante
A subir e a descer
Todos muito ocupados
Com seus sentidos
Todos muito aguçados

Indecifráveis
Indefiníveis...

26 julho 2010

Eu Lírico


Quem ampara o poeta? Quando na face falta-lhe o riso, quando no coração falta-lhe a alegria risonha ou quando no olhar falta-lhe o brilho?


Quem dá de comer ao poeta? Será dele gerar suas próprias frases de efeito um ofício? suas citações próprias, se auto-projetar em sua própria sombra seria seu vício?

O poeta já não dorme... ferida de guerra que não sara, ferradura pesada aos pés de difícil locomoção, salvo ladeira à baixo na estrada.

Quem interpreta o papel do poeta? Quem canta suas odes? Quem escreve sua novela? Quem canta seu musical? Quem suporta suas dores dos amores perdidos?Que gênio realiza seus 3 pedidos?

Ser poeta é amparar o infinito, pois no fundo do âmago das dores vorazes, só a ele cabe entender-se, com a ajuda tão somente do espelho da alma, não há “nós” na primeira pessoa do plural da desilusão poética, não há outro alguém pra dividir o peso , só há o “eu”, o eu lírico.

30 outubro 2008

Palavra


Ele era velho e mantinha concepções velhas em sua cabeça, velha cabeça, tão novo, tão velha. Não havia nada neste mundo que pudesse ser dito, escrito, interpretado, representado, comentado e criado que não pudesse, incrivelmente, ser adaptado aos seus velhos parâmetros eternos. Numa longa caminhada em busca de felicidade, em busca de ar regozijante aos pulmões apertados por situações irônicas da vida. Ele que pouco tinha, guardava todo seu orgulho em pequenas coisas que possuia, um troféru de 1º lugar no concurso de xadrez da escola, uma foto do coral da igreja, uma carta de amor da primavera de 1986, um caderno com dedicatórias de amigos... de todas as coisas que possuia a de maior valor pra ele, jovem ancião, era sua palavra. Se não possuia nada ao menos possuia a palavra, homem de palavra pensava ele, e quantas vezes a quebrou? quantas vezes não a fez cumprir? haveria redenção para ele que não possuia nada?

Muitas eram suas dúvidas mas, a única certeza era, a de que pouco se espera de alguém que pouco tem, muito se espera da única virtude da qual um homem tem a oferecer... Sua palavra era tudo, quando o pouco vira muito. Quando se quebra a palavra se quebra a figura do homem, se quebra o troféu no chão da sala da censura e reprovação alheia, rasga-se a única carta de amor, silencia-se a voz no coral, perde-se o caderno de boas recordações...
Não conseguia manter sua palavra, aos poucos todos desacreditavam, todos percebiam o fraquejar, a mudança de planos, o deixar pra depois, as promessas de um ano diferente. Até que um dia apareceu em sua porta um livro, com uma verdadeira palavra, bela, maravilhosa e invejável palavra que sempre se cumpria, no fim de cada prazo se cumpria, então ele a admirou e aprendeu a tê-la pra si com se dele fosse, pra ele tornou-se a sua palavra. Depois disso mais do que a palavra escrita, ele tinha a palavra na ponta da língua falada e lembrou que no coral era cantada, nunca mais precisou fraquejar nem adiar pois a palavra falava por ele, quando o pouco vira muito.

30 junho 2008

As Portas do Tempo

A porta do passado está se fechando e você tem pouco tempo... Ela é estreita e grossa, pesada e veloz, quando olhamos pra trás a vemos se fechando.
Quando olhamos para frente vemos a porta do presente, e mais a frente desta, a porta do futuro, num corredor ora claro ora escuro.
À medida que caminhamos entre elas, por entre estas portas, somos seguidos por uma luz de certo fraca, pois se trata de uma vela que não nos deixa enxergar muito adiante de nossos próximos passos, nem muito atrás de nós.
Toda porta do passado que já existiu e se fechou, um dia já foi uma porta do futuro, e também de um presente, todas elas sem exceção, então não esqueça nada de que possa precisar no futuro cair ao chão e ficar trancado lá atrás da porta do passado, pois ela se fechará e jamais será aberta novamente.
Não esqueça nada, não se esqueça de fazer nada nem deixe algo pra depois, pois o depois não há como ser alcançado.
Então me diga se você tem vivido intensamente; se suas fotos têm marcado épocas; se as épocas têm sido marcadas por músicas; se as músicas te lembram alguém; se esse alguém te fez ou continua te fazendo feliz; se seus amigos te rodeiam; se é redundante dizer que os quer por perto; se a distância atrapalha; se você às vezes quer seu espaço... Diga-me se há algo a ser feito, a ser mudado; se você tem mudado; se a imaturidade se tornou cada vez menor e a maioria das suas ações tem sido mais humanas, mesmo com mais planejamento; me diga se há uma auditoria em sua alma pra organizar tudo o que deve sentir, ou para mover peças chaves; me mostre se a cave que abre o seu coração não está gasta por funcionar como numa fechadura de um cofre. Puxe com você a pessoa certa para atravessar as portas do futuro, deixe as erradas para trás, elas encontrarão outro alguém e outras portas.
Porém, se sua luz (lanterna vaga-lume encandescente), puder queimar mais forte com a parafina "made in" sua força de vontade motriz da mudança, aquela sua porta do passado poderá ser daquelas de se admirar e permanecer aberta pra se ir e vir conforme a vontade, sem aquela sensação de algo pesado... Você tem 2 portas a escolher, qual lhe parece melhor?


05 dezembro 2006

Olhos Pacientes



Acho que é preciso ter olhos pacientes para enxergar esse mundo
Sentir o mesmo amor, saber amar... Acho que as únicas armadilhas nas quais nós caimos, são aquelas, que inconscientemente, eloboramos contra nós mesmos, sem saber... acho que ser, é estar muito mais em evidência do que agir como realmente somos.