Advertência!

O conteúdo deste blog pode, literalmente, projetar você para algum lugar no tempo-espaço...

Translate

14 dezembro 2009

Dia de Cão



Nunca mais eu havia suspirado assim, nunca mais havia sequer suspirado, não sonhava e nos meus sonhos não beijava ninguém. Meu cachorro suspira, Deus sabe o quanto eu queria ouvi-lo falar de suas sentimentalidades, entendê-lo, gostaria de sentir o que um cachorro sente ao suspirar tão humanamente quanto eu num dia de cão, talvez eu sinta... eu molho biscoito no café e dou a ele esperando que sua alma canina sinta um pouco de humanidade, espero que ao dissolver aquela massa umidecida eu encontre nele um sinal de que somos todos animais que sonham.

Acordei pensando nela outra vez, ouro de tolo quando se pensa ter algo perto das mãos, quando o impossível chega sorrindo e te abraça com força e saudade, o impossível me ama! ela não.

Eu sinto uma tristeza imenssa quando a música acaba devagarinho, diminuindo o seu volume e vai sumindo, me da saudade quando acaba o livro, me da saudade quando acaba o ano, me da saudade quando num domingo a tarde viajo de volta pra casa.
Me sinto triste quando não me sinto feliz, não preciso estar necessariamente triste pra me açoitar a tristeza, basta eu não sentir euforia, para cada “15 minutos de fama” e alegria eu vivo 1 hora de tristeza ou outro sentimento derivado semelhante a ela. Pensando assim não vivo, apenas regrido numa conta negativa rumo ao infinito...

Eu não sou essa pessoa que hoje encontro no espelho, sou a morte de muitos eus, sou um renascimento diário, sou descendente de mim mesmo, eu não sou eu vou sendo, quando dá, quando der. Meu sonho era causar nas pessoas o mesmo impacto que as pessoas causam em mim, gostaria de que as marcas que me deixam no peito eu também as deixasse em todos aqueles corações que me agradam. Hoje eu fingi, hoje eu n sabia o que sentir, hoje foi um dia de cão com direito a coração querendo sair pela boca.


21 setembro 2009

Não se sabe


Já pouco importa lembrar-se do que dizer na hora certa, pois esta parece que não chega, então para você eu pareço vencer pelo cansaço a felicidade que insiste em rodear meus olhos, enquanto para mim você parece não entender que percebe minha teimosia pelo que é triste. Nada disso também importa, pelo menos enquanto somos distantes. Não nos sabemos, não houve toque, contato algum, e segue-se a vida numa infindável ciranda de incertezas que vão semeando grãos de dúvidas sobre nossas frontes. Será que amanhã o futuro chegará logo, ou ainda tarda este a vir? Eu não sei. Viver é também não saber.

14 setembro 2009

Tuchê!

Sinto do lado esquerdo do peito uma ferida aberta, é o velho amor na certa, viver é amar, função de viver: Amar de portas abertas. Alguns fingem bem, se escondem entre facetas, esquiva de sentimentos, encenação, fingimento. É meu caro, parece que o amor te pego de repente, dessa vez mais forte, mais rápido, mais certeiro que a serpente. É meu caro, parece que o amor te pegou de veneta, na baixa guarda do coração, na mordida do bocal da caneta. Justo agora que estavas confiante, justo agora que parecias sem saudade, reerguido, vestido com o pijama da tranqüilidade.

Todos os olhares do mundo não significam nada, só um par de olhos te atrai, te agrada. Só aquele sorriso te afeta, te intriga, só aquele cheiro te acalenta, te embala, só aquele beijo te alimenta. Somente o medo te observa, espreita, espera, suspeita... No baixar da guarda te acerta! Tuchê! Pontada mais fina que agulha de crochê.

Tolo coração, mil e uma vezes encantado, mil e duas, mil e três, mil e quarto vezes o mesmo impacto... Quem da mais? Quem vai levar teu coração barato?

Quando o ”Eu” ama o “Tu” e o “Ele” esteve sempre lá é quando o “Eu” ama sozinho e tu te pões no teu lugar. Quando o “eu” conta a todos “vós” e depois sente que o “nós” não chega a se concretizar. Quando se espera algo e esse algo não vem, quando se ama alguém e esse amor não ama ninguém, quando se sente a dor e essa dor não se sente bem, quando se sente amor e esse amor não te convém. Nesse duelo o único elo te vence com louvor, é o espadachim que te lampeja a mente como martelo, forjando inoxidáveis correntes do mais puro amor.

28 agosto 2009

Pra sempre




É um tempo de cheiro de chuva esse de agora, é um gosto de tristeza na boca, e o coração pedindo um pouco mais de ontem, de muitos "ontens" atrás, e o relógio mentindo a mim as horas, fingindo ser pouco o tempo que se desperdiça com o que não vai ficar pra sempre, porque o pra sempre, é só uma questão de boa memória.

25 junho 2009

Hope...



...sempre?

18 maio 2009

Aniversáiros contra o tempo II


Os gigantes adormeceram outra vez em meus olhos, não por merecimento, mas por mera piedade, um tanto trégua, um pouco abrigo, e eis que quando percebi, já se assemelhavam às coisas inertes, desfalecidas, era um sono pesado, sereno, ademais, tranqüilo, e as coisas que antes pareciam grandiosas demais ao meu cético entendimento, agora eram tão lógicas e intensas quanto perceber o escuro ao apagar das luzes de um cômodo qualquer. Mas, não me engano tanto mais, esses gigantes apenas fingem um sono profundo, pois nesse mundo, são minhas investidas na vida quem entendem o bastante de inércia, sinceros objetivos atenuados por um Morpheus qualquer. Isso me lembra viver, vencer os dias em desalinho ao tempo requer coragem, já que as datas nos marcam não apenas o corpo, mas também o espírito, por isso que digo: onde está o valor de se viver os anos senão no regozijar-se naquilo que é o grandioso e absoluto presente-mór do Deus dos céus, que não é outro se não a vida? A vida aos vinte e nove é ainda jovem e robusta, um conforto, diante de tantos percalços oportunistas, e já não há mais tanto medo assim em gigantes adormecidos no canto de nossos olhos, nós apenas os vencemos, e quando outros vêm (outros sempre virão) os derrubamos de novo, a dor ensina isso, ser forte não requer prazer. Apenas vença, pois sei que assim como eu, você ainda é tão jovem, meu amigo. Ainda somos tão jovens. Feliz aniversário Pedro.

15 abril 2009

Rimas de Um Coração Fungado em Tristeza



A tristeza funga em meu cangote
Com um hálito doce porém frio e forte
Um Zeppelin cheio de suspiros incabíveis em mim
Faz flutuar meu amor em alturas terríveis
E depois o deixa cair ao chão em dores horríveis

Coração mais que cadente
Mais que pedante, mais que pedinte
Pândego coração pandeiro
Ébrio coração falante
Sóbrio coração ouvinte

Máquina manca e empenada
Encostada na quarta-feira de cinzas
No canto da escada
Em meio a ruínas

Para o lado esquerdo do corpo
Para os dois lados do riso
Coração estagiário anti-corpo
Coração que cava um abismo

Coração vermelho semaforizado
Por malabarismos vãos
Em busca de centavos trocados
Dando adeus sem dar as mãos

Coração micareta mascarado
Coração que chuta virando a cara pro lado
Sonha em ter feito gol
Coração impedido que o vento o levou

Coração a migué
Sem eira nem beira
Coração deitado em chão de esteira
Freguês do mesmo cabaré

Coração agora estéril
AM e FM estéreo
Atrás das grades no corredor da morte
Coração amador e pungente
Que toda dor agüente
Que toda dor suporte

Ah! e essa tristeza que funga em meu cangote
Ah! e essa tristeza que me cria um mote
Rima simplória para dor aguda
Que o coração me acuda
Que o coração seja forte.

14 abril 2009

Aos trinta e três




Conte-me mais sobre o motivo pelo qual te alegra tocar minhas mãos ao deitarmos, dê-me mais, pois sempre é bom ter calma para viver os dias, eu sei que à noite nós iremos conversar outra vez e concordaremos num mesmo ponto, você não mais me vê como seu, eu não mais vejo o que existia de ontem em você. Apaixonante, era apaixonante nos ver, agora eu vejo você se afastando, porque sou eu quem está partindo, aos poucos estou deixando coisas para trás, o tempo cai pelo chão a todo o instante, escorre entre nós, nossa memória esqueceu-se do que nunca deveria ser passado, e eu, que passei os anos à procura do que me fazia feliz, agora passo mais um sem encontrar o que quis. Foi uma manhã triste a de hoje, uma terça-feira como outra qualquer, não fosse o dia 14. Eu nasci aos catorze dias do mês de abril de um ano do qual não sei nada, em 76 eu nem era eu ainda. O desejo de sentir frio superou meu amor pelo calor. Outro capítulo, outro ano, e a mesma busca, a mesma vida, é sempre a mesma vida, como sou imaturo. Até quando serei? Parabéns para mim, que há trinta e três anos odeio vê-los passar...




شهريار


من در جستجوي نسخه‌اش

08 abril 2009


"Música é somente vibração de ar.Livros são apenas emaranhados de letras.Pintura é a mistura de cores sobre uma tela.Uma fotografia é apenas a luz sobre um papel sensível.E mesmo assim essas coisas conseguem tocar a alma.E tem gente que não acredita em magia".

O desterro e os óculos


Pressão alta é morrer sem ter vontade, pressão baixa é querer dormir sem nem ao menos ter sono. Eu, experimentador que sempre fui, enjoei de tanta dor para experimentar e tentei o gosto do leite com sal, tentei o que nunca soube, mas esse sabor não me pareceu bom, então eu, experimentador que sou, quis entender o mundo dos que se escondem atrás de lentes, e experimentam enxergar como poucos desejam, não as das câmeras, que captam a alma dos que sabem vida e aprisionam o prazer de se estar vivo em cliques feitos de desejos e ternura, ou em vídeos, filmagens amadoras ou não, transeuntes de um espaço sem liberdade, mas as dos óculos. Na época de escola tive uma professora que se escondia por trás das lentes de uns que nunca embaçavam, era loira e linda, por ela passei grande parte da minha adolescência com um amor vestido de vermelho-ciúme enroscado no meu coração, e isso ela sabia, pois sempre que lecionava, falava, falava e gesticulava em acenos perfumados de claros cabelos, e quando baixava a cabeça para suas averiguações didáticas, suas lentes nunca conseguiam esconder o ligeiro lançar de olhos em mim. Sorria-se tímida, talvez se lembrasse do filho que nunca tivera, quem sabe me imaginasse mais velho, isso me fazia ter vontade de usar óculos para eu saber se também conseguiria plantar nela o mesmo interesse que tinha eu, talvez um toque de maturidade poderia me ser acrescido pela serenidade das lentes. Foi ela a primeira que me explicou pressão arterial, os efeitos do sal, a corrente sanguínea, mas eu, só conseguia sem disfarce olhar para seus olhos, também nus, atrás daquelas lentes, por isso nunca entedia uma só palavra do que me falava quando se inclinava à minha mesa. Minha dor era a professora de português do outro turno, o vespertino, que sempre chegava com lentes embaçadas numa, quem sabe, proposital tentativa de ouvir algum aluno mais gentil se oferecer para limpá-los, pensei em denunciar na diretoria, parecia feio aquilo, acaso não havia homens mais velhos para tal vergonha? Queria eu poder fazer o mesmo com a minha musa loira, adepta das lentes de correção. Quase duas décadas se passaram, e então um dia, assistindo o telejornal local, vi a notícia de um acidente na volta de uma praia famosa daqui, e entre os que se foram naquela tarde fatídica, um corpo tinha sido dado como não identificado, não se sabia nada deste, aparentemente sem documentos, nem bagagens, nem fotos, ou qualquer coisa que pudesse auxiliar na identificação. Dois dias se passaram e após ter sido tal corpo enterrado como indigente, um simples ninguém, um que foi e se foi, sem nunca ter sido, a notícia final de que conseguiram – prefiri não pensar como – identificar quem era a pessoa morta no acidente me chocou grandemente e me fez entristecer na alma. Seu nome era Cláudia, uma foto foi achada dois dias depois no local do acidente, em meio aos destroços. Parentes e amigos reconheceram, ela estava de óculos e havia também há pouco tempo perdido uma gravidez de oito meses. Essa foi a imagem que ficou dela comigo para sempre, desde o colégio, um filho que nunca tivera, eu triste por nunca ter sido mais velho, ela loira, linda, e de óculos, estes, nunca embaçados, só para isentar-me da possibilidade de me oferecer para limpá-los. Hoje, tudo o que queria era chorar uma saudade com lentes, e esquecer o meu desterro, sei que ela jamais chegará a ler isso, mas eu, ainda posso usar óculos e talvez embaçá-los com essa minha saudade. Pressão alta é morrer sem ter vontade, pressão baixa é querer dormir sem nem ao menos ter sono. Eu, experimentador que sempre fui, enjoei de tanta dor para experimentar e agora posso usar óculos, como sempre quis, mas agora é tão tarde.