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23 julho 2010

Assim espero


Eu espero que você desde muito cedo saiba o que quer de sua vida, mesmo que talvez por um desconhecido azar, espero que exista alguém que te aconselhe numa direção do que fazer dela, e se mesmo assim você der muito azar, descubra que profissão seguir antes dos 25 anos.

Espero que nunca se apaixone por alguém que desconheça esse amor ou que o desmereça, agindo contigo de forma a te causar dor. Espero realmente que tu encontres alguém que te ame de verdade e nunca se sinta pedante de um sentimento afetivo alheio. Espero que teu amor nunca tenha vergonha de ti, que te ame pelo que você é e nunca te compare a outro alguém. Espero do fundo da alma que você nunca seja o plano B na vida de outrem.

Espero que ninguém te chame de dramático, espero que ninguém te ache grudento e que ninguém te ache um chato, você será feliz numa ordem inversamente proporcional ao número de vezes que sua presença gerar fastio as pessoas que querem te ver longe. Espero que você descubra rapidamente a arte de não incomodar pessoas, por que a arte de evitar pessoas já tem sido praticada há milênios antes do teu nascimento.

Espero que sua vida pessoal não seja assunto na mesa de jantar de estranhos, ou parentes muito próximos e incrivelmente distantes. Espero ardentemente que as tuas fraquezas não sejam motivo de piada e chacota para divertir uma platéia caseira, servindo de mau exemplo para a posteridade. Espero que teu carma encarnado e despido diante de tais olhos não dure mais que meia hora de horror.

Espero que você tenha uma adolescência bela, cheia de ritos de passagem e conquistas de liberdade e amadurecimento. Espero que você perca a virgindade de uma forma sadia e segura, espero que você nunca regrida em nada e sempre evolua, espero que os excessos te ensinem algo e que haja sempre um bom amigo pra te aconselhar como agir e ótimas lembranças pra se contar. Espero que as drogas te errem e que teus pecados sejam perdoados.

Espero que você seja proativo e tome antioxidantes e combata o teu stress. Espero que uma bala perdida nunca te ache, e que um carro pilotado por um bêbado nunca te amasse a carne fraca. Espero que teu coração seja acalentado e que você chame esse alguém de Deus mesmo não acreditando nele. Espero que a natureza te ajude a ser belo, pois amamos o belo, louvamos o belo e queremos somente o belo, a feiúra agride e o resto é hipocrisia.

Enfim espero que você não erre e não seja tão banal, espero que você viaje muito e conheça muitas culturas, espero que você tire um milhão de fotos, espero que você saia do seu mundo invisível formado pelos quatro pontos cardeais, do seu universo restrito, do seu cotidiano... Espero que você torça por um time campeão, se sinta em paz em alguma religião e que nenhuma doença do acaso te leve embora precocemente da vida.

Espero que você encontre prazer verdadeiro, que teus amigos te liguem ao telefone e apareçam sorrindo em tua casa. Espero que você tenha filhos fantásticos que te encham de orgulho exagerado, espero que teu trabalho seja gratificante e que te compre alguns belos sonhos, assim como espero que a paz caminhe em teus dias.

Espero que você não tenha problemas ao ponto de tomar diazepínicos, nem que tenha depressão, ou qualquer distúrbio ou transtorno... Espero-te em perfeita sanidade mental quando nos encontrarmos no paraíso. Espero que teu sonho nunca acabe.

Espero que a tristeza te abandone e que você nunca escreva poemas dos quais não consiga terminar, espero que o mundo te dê outra chance, espero que tua dor suma, que tuas chagas sejam curadas e que nunca mais chores antes de dormir. Espero que você n fique em pedaços, assim como estou agora, catando-se num longo desabafo.

03 abril 2010

Resumo


Apresentação de trabalho proposto como requisito para avaliação parcial da unidade I.
Link:

15 janeiro 2010

Todas as Desculpas



Todas as desculpas são desnecessárias, sem remorsos, hoje dor amanhã um espetáculo de placidez, ela me faz bem, ela me faz bem... Ela e às vezes a vida.

Minhas veias são amestradas, minhas pupilas dilatadas, sabor, furor, olhares trocados na escada rolante do shopping, vendedores de lojas de sapato, tênis mais que sapatos, mais que meias nos pés dos jovens ansiosos.

Família, futuro, parentes, paredes com marcas de rabiscos, sobrinhos com sorrisos hidrocor. Escova de cabelo, escova de dentes, dormir, acordar, receber um abraço gostoso! Gargarejar e sair correndo atrasado, olhar pro relógio apressando o tempo querendo encontrar alguém.

Todas as desculpas são desnecessárias se estivermos felizes ou esperançosos, toda dor vai pelo ralo de um banho demorado, toda dor some com aquela voz no telefone, ganhamos o dia se recebermos um certo beijo, um certo afago.
Nunca mais esqueci como amarrar meus cadarços do sapato, comer um sonho sentado no banco da praça... que dia bom! Meio sem graça mas bom, essa meia está apartada, chegando em casa quero andar descalço, e na tv passa um comercial de refrigerante enquanto eu estou com muita sede de viver.

08 janeiro 2010

De tudo que muda


Eu sei, todos no fundo sabem, somos tão inconstantes que nos tornamos acostumados a esquecer. Um não de quem esperávamos talvez sins sonoricamente regozijantes, uma mesa nua e vazia onde antes duas xícaras brincavam de quem esfriava primeiro o chá, um vaso azul aprisionava flores monocromaticamente indecisas onde agora só existe um chão vestido de piso quase novo. Num dia acordamos capitães de nossas vidas, noutro, nos deitamos passageiros de um destino desgovernado. Sorrindo percebemos a necessidade de não se guardar na memória nada que rime com saudade, pessoas fantásticas podem causar medo e fazer o estômago amargar a boca, por estas nos apaixonamos, estas parecem que nunca se apagam. E isso tudo importa, não como deveria, mas na maioria das vezes não conseguimos controlar a medida da importância que atribuímos às coisas que nos são por vida. Um dia eu vi a foto de uma garota, ela me guardou nos olhos quando nos falamos à distância pela primeira vez, era coisa de internet, esse mundo fascinante que minha mãe acredita ser um tipo de universo paralelo, e eu a tranquei em meu coração. A foto dela eu fiz parar em “Meus Documentos – Minha Imagens”, e o cheiro de leite que ela me confessou ter arrumou um colchão e um travesseiro e foi morar dentro de minhas saudades. Toda vez que essa saudade acordava eu corria e deixava meu olho lamber aquelas fotos presas lá em “Minhas imagens”, e então ela, a saudade, como os ursos nas estórias infantis que sempre adormeciam ao ouvir uma linda canção de ninar, voltava ao seu colchão rapidinho, e dormia toda cheia de roncos, de travesseiro entre as pernas e dedo na boca. Tenho a impressão que minhas saudades temem aquelas fotos enfeitadas de arco-íris em manhãs de sábado, mas enquanto humanos, somos tão variáveis. O cheiro de leite que ela parece ter eu nuca senti, e as fotos que dela tenho sempre mudam no outro dia, hoje elas não amanheceram enfeitadas de raios de sol, como de costume, mas isso é bom. Antes essa menina falava comigo me soprando as muitas cores que se misturavam em seu coração, agora suas palavras são tão cinzas que eu brinco de escrever nelas. Lembro que perto da minha mesa havia um vaso azul que aprisionava flores monocromaticamente indecisas, eu escrevi “saudade” no cinza da falta de cores que agora impera tão silenciosa em suas palavras...

14 dezembro 2009

Dia de Cão



Nunca mais eu havia suspirado assim, nunca mais havia sequer suspirado, não sonhava e nos meus sonhos não beijava ninguém. Meu cachorro suspira, Deus sabe o quanto eu queria ouvi-lo falar de suas sentimentalidades, entendê-lo, gostaria de sentir o que um cachorro sente ao suspirar tão humanamente quanto eu num dia de cão, talvez eu sinta... eu molho biscoito no café e dou a ele esperando que sua alma canina sinta um pouco de humanidade, espero que ao dissolver aquela massa umidecida eu encontre nele um sinal de que somos todos animais que sonham.

Acordei pensando nela outra vez, ouro de tolo quando se pensa ter algo perto das mãos, quando o impossível chega sorrindo e te abraça com força e saudade, o impossível me ama! ela não.

Eu sinto uma tristeza imenssa quando a música acaba devagarinho, diminuindo o seu volume e vai sumindo, me da saudade quando acaba o livro, me da saudade quando acaba o ano, me da saudade quando num domingo a tarde viajo de volta pra casa.
Me sinto triste quando não me sinto feliz, não preciso estar necessariamente triste pra me açoitar a tristeza, basta eu não sentir euforia, para cada “15 minutos de fama” e alegria eu vivo 1 hora de tristeza ou outro sentimento derivado semelhante a ela. Pensando assim não vivo, apenas regrido numa conta negativa rumo ao infinito...

Eu não sou essa pessoa que hoje encontro no espelho, sou a morte de muitos eus, sou um renascimento diário, sou descendente de mim mesmo, eu não sou eu vou sendo, quando dá, quando der. Meu sonho era causar nas pessoas o mesmo impacto que as pessoas causam em mim, gostaria de que as marcas que me deixam no peito eu também as deixasse em todos aqueles corações que me agradam. Hoje eu fingi, hoje eu n sabia o que sentir, hoje foi um dia de cão com direito a coração querendo sair pela boca.


21 setembro 2009

Não se sabe


Já pouco importa lembrar-se do que dizer na hora certa, pois esta parece que não chega, então para você eu pareço vencer pelo cansaço a felicidade que insiste em rodear meus olhos, enquanto para mim você parece não entender que percebe minha teimosia pelo que é triste. Nada disso também importa, pelo menos enquanto somos distantes. Não nos sabemos, não houve toque, contato algum, e segue-se a vida numa infindável ciranda de incertezas que vão semeando grãos de dúvidas sobre nossas frontes. Será que amanhã o futuro chegará logo, ou ainda tarda este a vir? Eu não sei. Viver é também não saber.

14 setembro 2009

Tuchê!

Sinto do lado esquerdo do peito uma ferida aberta, é o velho amor na certa, viver é amar, função de viver: Amar de portas abertas. Alguns fingem bem, se escondem entre facetas, esquiva de sentimentos, encenação, fingimento. É meu caro, parece que o amor te pego de repente, dessa vez mais forte, mais rápido, mais certeiro que a serpente. É meu caro, parece que o amor te pegou de veneta, na baixa guarda do coração, na mordida do bocal da caneta. Justo agora que estavas confiante, justo agora que parecias sem saudade, reerguido, vestido com o pijama da tranqüilidade.

Todos os olhares do mundo não significam nada, só um par de olhos te atrai, te agrada. Só aquele sorriso te afeta, te intriga, só aquele cheiro te acalenta, te embala, só aquele beijo te alimenta. Somente o medo te observa, espreita, espera, suspeita... No baixar da guarda te acerta! Tuchê! Pontada mais fina que agulha de crochê.

Tolo coração, mil e uma vezes encantado, mil e duas, mil e três, mil e quarto vezes o mesmo impacto... Quem da mais? Quem vai levar teu coração barato?

Quando o ”Eu” ama o “Tu” e o “Ele” esteve sempre lá é quando o “Eu” ama sozinho e tu te pões no teu lugar. Quando o “eu” conta a todos “vós” e depois sente que o “nós” não chega a se concretizar. Quando se espera algo e esse algo não vem, quando se ama alguém e esse amor não ama ninguém, quando se sente a dor e essa dor não se sente bem, quando se sente amor e esse amor não te convém. Nesse duelo o único elo te vence com louvor, é o espadachim que te lampeja a mente como martelo, forjando inoxidáveis correntes do mais puro amor.

28 agosto 2009

Pra sempre




É um tempo de cheiro de chuva esse de agora, é um gosto de tristeza na boca, e o coração pedindo um pouco mais de ontem, de muitos "ontens" atrás, e o relógio mentindo a mim as horas, fingindo ser pouco o tempo que se desperdiça com o que não vai ficar pra sempre, porque o pra sempre, é só uma questão de boa memória.

25 junho 2009

Hope...



...sempre?

18 maio 2009

Aniversáiros contra o tempo II


Os gigantes adormeceram outra vez em meus olhos, não por merecimento, mas por mera piedade, um tanto trégua, um pouco abrigo, e eis que quando percebi, já se assemelhavam às coisas inertes, desfalecidas, era um sono pesado, sereno, ademais, tranqüilo, e as coisas que antes pareciam grandiosas demais ao meu cético entendimento, agora eram tão lógicas e intensas quanto perceber o escuro ao apagar das luzes de um cômodo qualquer. Mas, não me engano tanto mais, esses gigantes apenas fingem um sono profundo, pois nesse mundo, são minhas investidas na vida quem entendem o bastante de inércia, sinceros objetivos atenuados por um Morpheus qualquer. Isso me lembra viver, vencer os dias em desalinho ao tempo requer coragem, já que as datas nos marcam não apenas o corpo, mas também o espírito, por isso que digo: onde está o valor de se viver os anos senão no regozijar-se naquilo que é o grandioso e absoluto presente-mór do Deus dos céus, que não é outro se não a vida? A vida aos vinte e nove é ainda jovem e robusta, um conforto, diante de tantos percalços oportunistas, e já não há mais tanto medo assim em gigantes adormecidos no canto de nossos olhos, nós apenas os vencemos, e quando outros vêm (outros sempre virão) os derrubamos de novo, a dor ensina isso, ser forte não requer prazer. Apenas vença, pois sei que assim como eu, você ainda é tão jovem, meu amigo. Ainda somos tão jovens. Feliz aniversário Pedro.